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sábado, 2 de abril de 2011

O discurso de Jango e o golpe de 1964



Reproduzo o corajoso discurso de João Goulart no comício de 13 de março de 1964, na Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Poucos dias depois, em 1 de abril, os generais - a serviço dos latifundiários e do grande capital nacional e estrangeiro, com o apoio direto do governo dos EUA e o respaldo da mídia patronal - deram o golpe e depuseram um presidente eleito democraticamente, que prometia importantes reformas de base no país:

Devo agradecer em primeiro lugar às organizações promotoras deste comício, ao povo em geral e ao bravo povo carioca em particular, a realização, em praça pública, de tão entusiasta e calorosa manifestação. Agradeço aos sindicatos que mobilizaram os seus associados, dirigindo minha saudação a todos os brasileiros que, neste instante, mobilizados nos mais longínquos recantos deste país, me ouvem pela televisão e pelo rádio.

Dirijo-me a todos os brasileiros, não apenas aos que conseguiram adquirir instrução nas escolas, mas também aos milhões de irmãos nossos que dão ao brasil mais do que recebem, que pagam em sofrimento, em miséria, em privações, o direito de ser brasileiro e de trabalhar sol a sol para a grandeza deste país.

Presidente de 80 milhões de brasileiros, quero que minhas palavras sejam bem entendidas por todos os nossos patrícios.

Vou falar em linguagem que pode ser rude, mas é sincera sem subterfúgios, mas é também uma linguagem de esperança de quem quer inspirar confiança no futuro e tem a coragem de enfrentar sem fraquezas a dura realidade do presente.

Aqui estão os meus amigos trabalhadores, vencendo uma campanha de terror ideológico e sabotagem, cuidadosamente organizada para impedir ou perturbar a realização deste memorável encontro entre o povo e o seu presidente, na presença das mais significativas organizações operárias e lideranças populares deste país.

Chegou-se a proclamar, até, que esta concentração seria um ato atentatório ao regime democrático, como se no Brasil a reação ainda fosse a dona da democracia, e a proprietária das praças e das ruas. Desgraçada a democracia se tiver que ser defendida por tais democratas.

Democracia para esses democratas não é o regime da liberdade de reunião para o povo: o que eles querem é uma democracia de povo emudecido, amordaçado nos seus anseios e sufocado nas suas reinvindicações.

A democracia que eles desejam impingir-nos é a democracia antipovo, do anti-sindicato, da anti-reforma, ou seja, aquela que melhor atende aos interesses dos grupos a que eles servem ou representam.

A democracia que eles querem é a democracia para liquidar com a Petrobrás; é a democracia dos monopólios privados, nacionais e internacionais, é a democracia que luta contra os governos populares e que levou Getúlio Vargas ao supremo sacrifício.

Ainda ontem, eu afirmava, envolvido pelo calor do entusiasmo de milhares de trabalhadores no Arsenal da Marinha, que o que está ameaçando o regime democrático neste País não é o povo nas praças, não são os trabalhadores reunidos pacificamente para dizer de suas aspirações ou de sua solidariedade às grandes causas nacionais. Democracia é precisamente isso: o povo livre para manifestar-se, inclusive nas praças públicas, sem que daí possa resultar o mínimo de perigo à segurança das instituições.

Democracia é o que o meu governo vem procurando realizar, como é do seu dever, não só para interpretar os anseios populares, mas também conquistá-los pelos caminhos da legalidade, pelos caminhos do entendimento e da paz social.

Não há ameaça mais séria à democracia do que desconhecer os direitos do povo; não há ameaça mais séria à democracia do que tentar estrangular a voz do povo e de seus legítimos líderes, fazendo calar as suas mais sentidas reinvindicações.

Estaríamos, sim, ameaçando o regime se nos mostrássemos surdos aos reclamos da Nação, que de norte a sul, de leste a oeste levanta o seu grande clamor pelas reformas de estrutura, sobretudo pela reforma agrária, que será como complemento da abolição do cativeiro para dezenas de milhões de brasileiros que vegetam no interior, em revoltantes condições de miséria.

Ameaça à democracia não é vir confraternizar com o povo na rua. Ameaça à democracia é empulhar o povo explorando seus sentimentos cristãos, mistificação de uma indústria do anticomunismo, pois tentar levar o povo a se insurgir contra os grandes e luminosos ensinamentos dos últimos Papas que informam notáveis pronunciamentos das mais expressivas figuras do episcopado brasileiro.

A mídia e o golpe militar de 1964

A mídia e o golpe militar de 1964
Por Altamiro Borges, no Blog do Miro

Amanhã [Hoje], 1º de abril, marca os 47 anos do fatídico golpe civil-militar de 1964. Na época, o imperialismo estadunidense, os latifundiários e parte da burguesia nativa derrubaram o governo democraticamente eleito de João Goulart. Naquela época, a imprensa teve papel destacado nos preparativos do golpe. Na sequência, muitos jornalões continuaram apoiando a ditadura, as suas torturas e assassinatos. Outros engoliram o seu próprio veneno, sofrendo censura e perseguições.

Nesta triste data da história brasileira, vale à pena recordar os editoriais dos jornais burgueses – que clamaram pelo golpe, aplaudiram a instalação da ditadura militar e elogiaram a sua violência contra os democratas. No passado, os militares foram acionados para defender os saqueadores da nação. Hoje, esse papel é desempenhado pela mídia privada, que continua orquestrando golpes contra a democracia. Daí a importância de relembrar sempre os seus editorais da época:

O golpismo do jornal O Globo

“Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares que os protegeram de seus inimigos. Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o significado das manobras presidenciais”. O Globo, 2 de abril de 1964.

“Fugiu Goulart e a democracia está sendo restaurada…, atendendo aos anseios nacionais de paz, tranqüilidade e progresso… As Forças Armadas chamaram a si a tarefa de restaurar a nação na integridade de seus direitos, livrando-a do amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal. O Globo, 2 de abril de 1964.

“Ressurge a democracia! Vive a nação dias gloriosos… Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas que, obedientes a seus chefes, demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições. Como dizíamos, no editorial de anteontem, a legalidade não poderia ter a garantia da subversão, a ancora dos agitadores, o anteparo da desordem. Em nome da legalidade não seria legítimo admitir o assassínio das instituições, como se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada”. O Globo, 4 de abril de 1964.

“A revolução democrática antecedeu em um mês a revolução comunista”. O Globo, 5 de abril de 1964.

Conluio dos jornais golpistas

Na primeira hora do golpe de 1964, "Folha" defendeu o MOMENTO PROPÍCIO a uma ditadura


Editorial do jornal Folha de São Paulo em 3 de abril de 1964:

Como se vê, a "folha", mesmo quando ainda havia ampla articulação pública para confinar o golpe de 1964 na deposição de Jango e retomar o caminho institucional vigente desde a constituição de 1946, o jornal já achava o momento propício a uma ditadura militar.

Isso derruba a tese dos defensores do jornalão, de que teriam apoiado o golpe, defendendo a "democracia" (segundo o jornal, "ameaçada por Jango"), e de que o golpe é que teria tomado rumos diferentes em direção à ditadura.

A gênese da "ditabranda": escalada de mentiras para enganar a nação, endurecendo o regime passo-a-passo até chegar à ditadura.

Enquanto a ditadura era urdida nos bastidores (o golpe dentro do golpe) após derrubarem Jango, o jornal Folha de São Paulo serviu para preparar o terreno, como se observa no editorial.

O jornalão propagandeava, como se fosse fato, um falso "retorno à normalidade democrática". A nação era enganada nas páginas dos jornais com a idéia de que tudo não passou de uma crise militar, resolvida politicamente com a derrubada de Jango, e que consumado o fato, tudo estava seguindo a normalidade institucional após estes eventos.

A mentira era evidende, pois como explicar a deposição por militares, de governadores eleitos que não renunciaram, como Miguel Arraes?

Ibope de Dilma e o mêdo da inflação


Vem em boa hora a pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta sexta-feira em que a presidente Dilma Roussef é aprovada por 73% dos brasileiros, após os primeiros três meses de seu governo.
É um bom indicador de que o país continua seguindo no rumo certo, segundo a maioria da população: o índice de confiança no governo Dilma neste começo de abril chega a 74%.
O resultado serve para acalmar os ânimos, tanto de aliados do governo indóceis com as nomeações para o segundo escalão, como a da oposição parlamentar e midiática que, na falta de outros discursos e argumentos, aposta tudo no mêdo da alta da inflação para desgastar o governo.
O problema da alta de preços existe, e é sério, mas ficar batendo tambores e dando a toda hora a palavra a “especialistas” para prever o pior, fazendo o jogo de especuladores saudosos da inflação de tempos passados, cria uma expectativa negativa que acaba se auto-realizando.
“PSDB vai explorar alta da inflação em programa de TV”, já anuncia a manchete da página A6 da Folha de hoje. O programa partidário dos tucanos só vai ao ar em maio, mas o jornal mostra que este foi o caminho encontrado pela oposição: assustar o eleitorado com o fantasma inflacionário.
Mais perdida do que cachorro em dia de mudança de barco, sem rumo e sem remo, a oposição demotucana, enquanto não dá à luz a dissidência do PSD de Kassab, aposta todas as suas fichas numa piora da situação econômica, com queda de crescimento e subida dos preços, como foi previsto esta semana pelo Banco Central.
Tudo bem, acenar com o perigo à vista é mesmo o papel da oposição, mas na reunião de governadores tucanos, marcada para este sábado, em Belo Horizonte, alguém poderia ao menos apresentar um caminho alternativo à política econômica até aqui seguida pelo governo. Qual é, afinal, a proposta da oposição para o país em 2011?
Até agora, Sergio Guerra, o atual presidente do PSDB e candidato à reeleição, só definiu a prioridade temática com base nos números do BC:

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Ex-militar argentino é condenado à prisão perpétua por centro de torturas

Os quatro homens negaram as acusações
O ex-general argentino Eduardo Cabanillas foi sentenciado à prisão perpétua por dirigir um famoso centro de detenção e tortura durante a ditadura militar no país, entre 1976 e 1983.

Três ex-integrantes do serviço secreto da Argentina também foram condenados por assassinato, tortura e prisões ilegais.

Honorio Martinez e Eduardo Ruffo foram sentenciados a 25 anos de prisão cada um e o ex-oficial de inteligência militar Raul Guglielminetti, a 20 anos.

Cerca de 200 ativistas de esquerda foram sequestrados e levados para a prisão secreta que tinha como fachada um oficina mecânica (Automotores Orletti), em Buenos Aires, durante a ditadura. A maioria das vítimas era de uruguaios, mas também havia chilenos, bolivianos, peruanos e cubanos.

Milhares de argentinos foram torturados e mortos em outros centros mantidos pelas Forças Armadas do país.

Os crimes foram parte da Operação Condor, uma campanha coordenada pelos governos de países da América do Sul para eliminar os movimentos de oposição nas décadas de 70 e 80.

Esta operação foi criada em 1975 por autoridades militares da Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai. O objetivo era silenciar a oposição enviando equipes para outros países para encontrar, monitorar e matar os dissidentes.

Curió é solto menos de um dia após a prisão


por Tatiana Farah, em O Globo
SÃO PAULO – O major de reserva Sebastião Curió Rodrigues de Moura não ficou preso nenhum dia pela posse ilegal de armas em sua casa. Curió, um dos chefes da repressão à Guerrilha do Araguaia, foi levado na quarta-feira para o Batalhão de Polícia do Exército, depois de prestar depoimento. Segundo o departamento de comunicação do Exército, o advogado de Curió obteve um habeas corpus para libertar seu cliente.
Curió foi preso pela Polícia Federal em sua casa em Brasília durante operação de busca e apreensão a documentos da ditadura, coordenada pelo Ministério Público Federal. Em sua casa, além de documentos e um computador, a polícia apreendeu as armas sem o devido registro.
Os agentes federais e o procurador da República Paulo Roberto Galvão foram à casa de Curió para tentar resgatar documentos do período da ditadura (1964-1985), em especial de sua atuação durante a Guerrilha do Araguaia, no início dos anos 70.
O Ministério Público Federal vai submeter o computador à análise em busca de documentos que possam estar digitalizados. Entre os papéis encontrados pelo MPF, estão páginas de documentos antigos com o selo “confidencial”. No entanto, o MPF não confirmou se os papeis podem ajudar na localização dos corpos dos guerrilheiros enterrados no Araguaia (TO) durante a ditadura.
Em entrevistas públicas e em depoimentos à Justiça, Curió já disse que o Exército teria executado 41 guerrilheiros no Araguaia. Ao jornal “O Estado de S. Paulo”, em 2009, Curió abriu uma mala cheia de papeis em que anotava, supostamente, detalhes de diversas dessas mortes. Os 41 militantes de esquerda teriam sido mortos, segundo ele, fora do campo de combate, quando não ofereciam risco aos militares
Fonte: Vi o mundo

Frente pelo direito à comunicação sai do papel e vai à sociedade




por Juliana Sada
Desde o início de março um grupo de parlamentares se articula para debater mudanças na legislação das comunicações do Brasil e a construção de um novo marco regulatório para a área. A Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação está finalizando a fase de coleta de assinaturas no Congresso para sua instauração e será lançada no dia 19 de abril, em um ato público que pretende reunir militantes e movimentos da área, assim como apoiadores da causa.

Para dar impulso aos trabalhos da Frente, alguns deputados do grupo participarão de um debate em São Paulo, nesta sexta-feira (01). O tema em discussão será o papel da mídia na atualidade e também o novo marco regulatório das comunicações. Para os parlamentares é fundamental envolver a sociedade civil no debate e na luta por mudanças positivas no marco regulatório, já que a Frente enfrentará muitos obstáculos e opositores em seus trabalhos.  Estão confirmados os deputados Emiliano José (PT/BA), Luiza Erundina (PSB/SP), Brizola Neto (PDT/RJ), Jandira Feghali (PCdoB/RJ) e Ivan Valente (PSOL).

Após o debate, ocorrerá o lançamento do livro “Jornalismo de campanha e a Constituição de 88”, de autoria do deputado Emiliano José, professor licenciado da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia. A obra é baseada em sua tese de doutorado, onde o pesquisador analisou o papel da imprensa em desconstruir a Constituição de 88 e apoiar a implementação de um projeto neoliberal.

O debate ocorrerá amanhã, dia primeiro, às 19h, no Auditório do Sindicato dos Bancários, que fica na rua São Bento, 413.