A presidenta Dilma Rousseff inaugurou o transporte por teleféricos na comunidade carente do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. A Presidenta abriu seu discurso dizendo que faltou a presença do presidente Lula:
Eu queria primeiro falar... aqui com Sérgio, com o Pezão, que nós sabemos que aqui falta uma pessoa... nós todos sabemos:
Falta o Lula!
E falta o Lula, porque ele colocou não só recursos financeiros aqui, ele colocou também o carinho, o amor, e mais do que isso, o respeito, e a esperança de que esse país pode ser diferente.
Então a minha saudação ao presidente Lula, que não está aqui hoje...
O teleférico é o primeiro transporte de massa por cabo do país, faz parte do PAC, e a previsão é de que o transporte seja usado por 70% da população local, que passará a partir de agora a fazer em 15 minutos o trajeto da entrada até o topo do morro (antes o trajeto durava uma hora). Dilma também visitou o Comando da Força de Pacificação do Complexo do Alemão.
O senhor José Serra, que não tem conseguido nem espaços na “mídia amiga”, nos brinda hoje com outra peça de hipocrisia em seu blog.
Ataca o Regime Diferenciado de Contratações, aprovado no Congresso, endeusando a legislação anterior, presa exclusivamente à lei 8.666, de 93.
Como se ela, aliás, tivesse garantido lisura nas licitações públicas. É tão evidente que não que o próprio Serra admite que “ela não era perfeita”.
Em matéria de lisura em obras públicas, José Serra não precisa de argumentos. Apenas de memória.
É só olhar a reportagem da insuspeita Folha de S. Paulo, ano passado.
“Um dia após assumir (no governo Serra) a diretoria da Dersa responsável pelo Rodoanel, Paulo Vieira de Souza assinou uma alteração contratual na obra que deu liberdade para empreiteiras fazerem mudanças no projeto e, na prática, até usarem materiais mais baratos.
A medida, em acordo da estatal com as construtoras, foi definida em 2007 em troca da garantia de “acelerar” a construção do trecho sul para entregá-lo até abril deste ano, quando José Serra (PSDB) saiu do governo para se candidatar à Presidência.
Com a mudança no contrato do Rodoanel, ficou “inviável” calcular se os pagamentos da obra correspondiam ao que havia sido planejado e executado, conforme a avaliação do Ministério Público Federal dois anos depois.”
Ora, isso seria impossível pela nova lei, pois ela prevê será proibida a assinatura de aditivos, instrumentos pelos quais o objeto da licitação pode ser aumentado, salvo em casos excepcionalíssimos, por desequilíbrio contratual ou exigências tecnicas posteriores, devidamente justificadas perante os órgãos de controle.
O despeito de Serra envenena o que ainda resta dele.
Saiu na Carta Capital irretocável editorial do Mino Carta.
Com o Palocci e o PRasil no Ministério dos Transportes, a Presidenta, de fato, é a ofendida.
Mino suspeita que o Palocci esteja na origem da trampa do Abiliô no BNDES.
Mino não entende por que o Johnbim não pede demissão.
E por que o Zé Cardozo – clique aqui para saber por que o pessoal do Daniel Dantas chama ele de Zé – ainda esta lá .
Cardozo, provavelmente, suspeita o Mino, é indicação do PT.
Este ansioso blogueiro vai mais longe.
O Zé escolheu para dirigir a Polícia Federal o delegado que lutou desesperadamente para impedir que a Satiagraha prendesse o passador de bola apanhado no ato de passar bola – clique aqui para ver o vídeo que o Gilmar Dantas (*) ignorou e mostra o momento da passagem de bola no jornal nacional.
O Zé tinha também uma Consultoria – êpa ! êpa !
Johnbim anunciou que, sob sua guarda, sumiram os registros da tortura no regime militar.
(*) Clique aqui para ver como um eminente colonista do Globo se referiu a Ele. E aqui para ver como outra eminente colonista da GloboNews e da CBN se refere a Ele.
A grande imprensa brasileira lembra a máfia italiana. Comandada com mão de ferro pelas famílias Marinho, Frias, Civita e Mesquita, presta serviços a gangsters travestidos de políticos que se abrigam sob uma sigla partidária, o PSDB, e seus aliados DEM e PPS.
Lendo ou assistindo os veículos de comunicação que essas “famiglias” controlam, a impressão que se tem é a de que, para acabar com a corrupção no Brasil, basta colocar o Partido dos Trabalhadores na ilegalidade, pois só ele e aliados são alvo de denúncias.
Dia após dia, essas organizações criminosas financiadas com o dinheiro dos contribuintes paulistas, mais do que de quaisquer outros, só se ocupam de alguma denúncia se ela envolver o PT ou algum de seus aliados na base de apoio do governo federal.
Devido a essa situação esdrúxula, quem não quer que o governo do país ou de qualquer nível da administração pública faça o que bem entender sem questionamento só pode votar em um partido, no PT, pois é o único que a imprensa fiscaliza.
Se você vota no PT, é porque sabe que ele estará sempre sob rédea curta, seja no Executivo, seja no Legislativo. Aqui em São Paulo, por exemplo, só dois governos foram fiscalizados de verdade, o de Marta Suplicy e o de Luiza Erundina.
Governos municipais e estaduais só são fiscalizados pela imprensa quando são do PT ou de seus aliados, em São Paulo.
Se dermos uma olhada no que acontece em Estados como São Paulo ou Minas Gerais, perceberemos o que aconteceria se o PSDB tivesse recuperado o poder central no ano passado. Nesses Estados, a corrupção corre solta e a imprensa se nega a noticiar.
Estive em Belo Horizonte recentemente, em encontro com outros blogueiros locais, e fiquei espantado com o pavor que as pessoas dedicam ao coronel mineiro, Aécio Neves, que, com o apoio do imprensa local, promove toda sorte de abusos, roubalheiras e intimidações.
Em São Paulo, a situação não é tão escandalosa. Aqui, o PSDB pode apenas roubar à vontade sem ser incomodado pela imprensa. Não há intimidação física dos adversários, como em Minas, onde há relatos de violência contra quem conteste a família Neves.
Obras como o Rodoanel ou de desassoreamento do rio Tietê, por exemplo, transtornam a vida do paulista devido à exorbitância da corrupção que encerram. O complexo viário já é chamado abertamente de “roubanel” e o desvio de recursos para desassorear o rio, matou dezenas.
Onde está a imprensa? Não diz um A. Nada, absolutamente nada. Às vezes, sai uma notinha escondida num pé de página, uma vez só, no máximo duas, sem aquele martelar incessante que a máfia midiática faz quando o caso envolve o PT ou seus aliados.
Mais de uma centena de CPIs hiberna na Assembléia Legislativa paulista. Deputados de oposição aos governos Alckmin, Serra e agora Alckmin de novo sempre dizem que as investigações só seriam abertas com pressão da imprensa.
A cada vez que explode um novo escândalo contra um governo do PT, sobretudo contra o governo federal, e vejo esses militontos que se dizem de esquerda, mas que não passam de massa de manobra da direita, fazerem o jogo da máfia midiática, sinto engulhos.
Enquanto escândalos reais e inventados contra o PT ocupam cem por cento do grande noticiário, em regiões como São Paulo ou Minas Gerais os governos locais fazem o que bem entendem sem qualquer questionamento. E cadê os militontos? Ajudando a direita, claro.
Alguém acredita que esses critérios sobre evolução patrimonial poupariam o secretariado desses governos estaduais mafiosos? Se houvesse interesse igual da imprensa sobre o governo paulista, por exemplo, não sobraria um.
Na antiga Daslu, organização criminosa que se dedicava a contrabando de artigos de luxo na capital paulista antes de ser desbaratada pela Polícia Federal, a filha do então governador Geraldo Alckmin fez uma carreira meteórica. Em meses, passou de vendedora a “diretora”.
A imprensa local jamais disse nada, pois estava ocupada acusando os filhos de Lula.
A perda de importância de São Paulo, com queda na renda média e na participação do Estado no PIB, deve-se à corrupção exacerbada que flagela o povo paulista, que, alegre e tranqüilo, fica bradando contra o governo federal enquanto é roubado pelo estadual.
Tenho lá minhas críticas a fazer ao governo federal. Nesse caso do Ministério dos Transportes, é evidente que havia negociatas. Todavia, não me ocupo disso porque estaria fazendo o jogo dos que denunciam alguns crimes e ocultam outros.
Enquanto as denúncias na grande imprensa tiverem foco partidário, execrando os corruptos adversários e protegendo os amigos, esta página se dedicará exclusivamente a denunciar essa situação. Um país sério não pode ter licença para roubar.
PS: apropriei-me da expressão “militontos”, criação da amiga, blogueira e historiadora Conceição Oliveira
No twitter, Cerra não pára de elogiar o falecido Itamar.
Itamar estava sem Ministro da Fazenda e Ulysses insistiu, insistiu para que Itamar nomeasse o Padim Pade Cerra (que não tem diploma de economista nem de engenheiro, não é isso, amigo navegante ?).
Itamar concordou em recebê-lo e percebeu que a notícia tinha vazado.
Quando Cerra chegou ao Palácio o PiG (*) inteiro estava lá para celebrar a nomeação.
Os dois se trancaram.
Na saída, Itamar chamou o PiG (*).
Um repórter pergunta: então, o senhor já tem Ministro da Fazenda ?
Como se sabe, Cerra boicotou o Plano Real sistematicamente. Ele queria o lugar o Malan. E dizia aos colonistas (**) que o chamam de “Serra” que o Plano Real era um “populismo cambial”.
Itamar só não conhecia a alma do Cerra melhor do que o Ciro Gomes.
A Pública – Agência de Jornalismo Investigativo produziu uma série de reportagens sobre a Guerrilha do Araguaia, focando no impacto da repressão militar na vida dos camponeses da região. As matérias são baseadas em depoimentos de camponeses e ex-soldados que compõem os 149 volumes do processo judicial que investiga do desaparecimento dos guerrilheiros e também em entrevistas inéditas.
Nos relatos, episódios de terror e violência extrema. Muitas camponeses tiveram sua vida desestruturada e foram obrigados a prestar serviços ao Exército, não apenas denunciando mas também buscando e executando os “paulistas”, como os guerrilheiros eram chamados pelos camponeses. Muitos que não colaboravam foram presos, torturados e executados. Com as prisões em massa e falta de celas, os camponeses eram colocados em buracos abertos nos terrenos das prisões.
De lá, os camponeses eram retirados para “dançar” sobre latas abertas ou tições de fogo, forçados a beber água com sal ou sabão quando tinham sede, humilhados e espancados em rodas de “taca”(surra). Os que se prontificavam a colaborar, denunciando ou mesmo prendendo os guerrilheiros, recebiam 1.000 cruzeiros por captura.
Sobre a caça aos guerrilheiros, há relatos que indicam que muitos foram decapitados, seus corpos ficaram abandonados na mata e suas cabeças eram exibidas à população. No vídeo, Sinésio Martins, camponês que foi preso e forçado a servir ao Exército, conta como foi enviado à mata para trazer o “bico de papagaio”, expressão para cabeça, de guerrilheiros.
Operação Limpeza
Depoimentos revelam também que em 79, já após o fim da guerrilha e da retira oficial das tropas militares, o Exército conduziu uma operação para dificultar uma possível busca de corpos. Muitas ossadas foram desenterradas e levadas para outros locais ou submetidas a ácidos ou queimadas, e os restos jogados em distintos locais. Os oficiais envolvidos trabalhavam à paisana e se apresentavam como “doutores”. Relatos dão conta que dessa operação participaram o Major Curió, que comandou a operação no Araguaia, e Romeu Tuma, que na época trabalha no Dops.
Abel Honorato de Jesus, mateiro que trabalhou para o Exército, conta que o trabalho de Tuma era “embalar e resgatar os corpos” e que vinha para os “operações das mortes”. O ex-soldado Antonio Adalberto Fonseca conta que quando “doutor Silva”, como era conhecido Tuma, aparecia “era porque ia morrer ou já tinha morrido gente”. Os entrevistados afirmam que só descobriram sua identidade muita tempo depois: “Quando eu vi ele na tevê, pensei: ‘ah, olha o doutor Silva’”.
Uma pesquisa revela que houve operações “de limpeza” após o fim da ditadura, chegando até os anos 90.
O livro “Habeas Corpus – Que se apresente o corpo”, da Secretaria dos Direitos Humanos, cita um relatório realizado pelo ex-ministro da Defesa, José Viegas Filho, que faz referência a “haver ocorrido, entre 1988 e 1993, a denominada ‘Operação Limpeza’. [...] Segundo depoimentos, as ossadas, após terem sido retiradas de suas covas, foram submetidas a ácidos e queimadas. Os fragmentos restantes teriam sido enterrados em local incerto ou jogados nos rios da região [...]”.
Militares-cobaias
Os ex-soldados Valdim e Guido, entrevistados pela Pública, pedem indenização pelo “treinamento” que receberam durante o período. Sob o argumento de estarem sendo treinados, os militares teriam testado neles o que seria usado contra presos políticos.
“O que era para aplicar nos guerrilheiros aplicavam primeiro em nós. Me lembro de coisas como ser jogado em um buraco pequeno junto com outros soldados despidos, e aí passavam uma palha com fogo queimando por cima. Faziam a gente beber lama, sangue. Bebi muito sangue de porco, de galinha. E se chorasse, era porque era mariquinha”, recorda Guido, que serviu na base de Xambioá. Os soldados também eram jogados em formigueiros para aprender a não sentir dor e colocados na “cruz”. “Amarravam os braços e pernas e ficávamos crucificados, pendurados, feito Jesus”, conta Valdim. Na região de Marabá, os moradores e ex-soldados comentam a história do soldado Messias, que após os treinamentos ficou louco e passou a matar animais para beber seu sangue.
As reportagens completas estão disponíveis no site da Pública, neste link.
Posto aí em cima o vídeo veiculado pela TVT, ligada ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e à CUT, com dois momentos. Um, da crítica cutista à participação do BNDES no negócio Pão de Açúcar-Carrefour. Outro, do ex-ministro Paulo Vanucchi, colaborador de Lula na Secretaria Nacional de Direitos Humanos. Assistam, ajuda a esclarecer melhor o assunto.
Hoje cedo, respondendo a um comentarista que foi muito agressivo, escrevi algumas (na verdade, muitas) linhas sobre este assunto Pão de Açúcar-Carrefour. Vou aproveitar a parte delas que não é pessoal neste post, até porque é muito bom que esteja se construindo uma grande polêmica neste assunto, que permite chamar a atenção sobre o tamanho e a concentração do capital neste setor que é, perdoem o trocadilho, um super-hiper-mercado.
De início, coloco aí ao lado o gráfico, com dados que não se dispunha ontem, quando comentamos, aqui, o assunto.
Primeiro, o valor do faturamento. Os R$ 206,1 bilhões representam, para que se tenha idéia, quatro vezes mais que o faturamento de todo o setor sucroalcooleiro (etanol e açúcar) brasileiro,que está em R$ 50 bilhões.
Bem, o que nós diríamos se este setor, como ocorre com o supermercadista, estivesse com 50% de controle em mãos de empresas estrangeiras?
O que é seria absurdo para o setor de álcool e açúcar não é absurdo para a comercialização de alimentos e artigos de uso pessoal e doméstico?
Porque é isso que ocorreria com a passagem do grupo Pão de Açúcar para o francês Casino, ano que vem.
Quem achar isso bom para o país, tem toda a razão de ser contra o negócio. Quem achar que essa turma não se oligopoliza, que “concorre” livremente, que não negocia vantagens extorsivas sobre pequenas empresas que queiram colocar seus produtos nas gôndolas, que esse mercado é “limpinho e cheiroso”, paciência.
Agora, sobre o negócio em si.
A primeira é que a operação é do Bndespar, que pertence ao BNDES mas não opera os recursos do FAT. O Bndespar é responsável por mais da metade do lucro operacional do BNDES, – R$ 5 bilhões, dos R$ 9 bilhões registrados no ano passado. Tem participação acionária em 170 empresas, e nem todas de infraestrutura. Capta dinheiro no mercado, e não é dinheiro público, vendendo seus títulos – se quiser, olhe aqui a última emissão no valor de R$ 1,2 bilhão.
Estas emissões pagam juros “de mercado”, acima da taxa Selic, que remunera os títulos públicos. É, portanto, dinheiro captado no mercado – não do Tesouro – e não é nem financiamento e muito menos financiamento subsidiado.
O Bndespar tinha, ano passado, ativos de cerca de R$ 125 bilhões, dos quais R$ 100 bilhões diluídos em participações acionárias em quase 200 empresas. O volume anunciado de R$ 4 bilhões é enorme, mas muito pequeno dentro deste universo.
Esta operação estaria sendo totalmente criticada aqui se fosse feita com recursos do Tesouro, como muitas do BNDES o são, pagando juros menores. Aliás, como foram feitas muitas, durante as privatizações do Governo FHC. Ou se estivesse usando os recursos paraestatais que pertencem aos trabalhadores, operados pelo BNDES, como o FAT.
Nem tem nada a ver com os financiamentos do BNDES a pequenas e médias empresas, que pularam de 27% do total de operações do banco, no ano passado, para 45% este ano, no primeiro quadrimestre de 2011.
Agora, não se entra na selva da economia mundial fazendo papel de “dá licença, moço, que eu sou bonzinho”.
As empresas chinesas – grande parte em joint-ventures com multinacionais – estão se implantando por toda a parte e tornando o país uma grande potência econômica com apoio financeiro de seu governo – aliás, o governo chinês anda feito um mascate pelo mundo, atrás de bons negócios e não me consta que eles sejam do PSDB ou do PFL ou qualquer tipo de “neoliberal”.
Dependesse de vontades pessoais, estaríamos todos defendendo que a economia fosse muito mais fortemente estatizada. Mas não depende e, até, muitas vezes independe da vontade de um governo.
Acho curioso que se reclame do BNDES apoiar um movimento que vise evitar que mais da metade do comércio varejista brasileiro fique sob controle estrangeiro. E que, por mínimo que seja, podemos ter uma plataforma internacional de colocação de produtos brasileiros na indústria de alimentos, que é uma de nossas maiores vocações.
Pessoalmente, não tenho pelo senhor Abílio Diniz nenhuma simpatia. Nem compras no seu mercado faço, aliás, porque prefiro os mais populares. E procurei deixar claro que há, no negócio, um detalhe que, talvez por minha incompetência ao descreve-lo – não tenha ficado claro. É que a operação prevê o fim das ações preferenciais do grupo, que seriam transformadas em ordinárias. O que isso quer dizer? Que acaba o direito de participar do lucro sem participar do capital votante (ações ordinárias) e esse passa a ser totalmente distribuído.
Acho que – de tanto ouvir falar que o Estado é ineficiente e corrupto (e tantas vezes com razão) – cultivamos, sem querer, a ideia de que ele não deve, através de suas empresas, de negócios lucrativos.
Honestamente, se você fosse gestor de um fundo de investimentos de sua categoria profissional, recusaria a oportunidade, em condições vantajosas, de ser sócio de de uma rede de super e hipermercados? Provavelmente, não.
Não se tenta aqui, justificar o injustificável. Não se tenta defender os juros altos, a (falta de) ação do Governo em setores vitais, como é o caso do etanol, ou o receio em enfrentar o “mercado”.
Este blog não é da UDN. Aqui, a gente fala e ouve, debate e tenta esclarecer o que é positivo e o que é negativo, na visão de cada um. Não se parte do princípio – tão usado pela nossa imprensa de direita – de que tudo o que o Governo faz é negociata, enquanto tudo o que o Governo Fernando Henrique fazia era em nome da eficiência.
A direita adora este discurso. Hoje é “absurdo” o Estado entrar no setor de varejo. Ontem, era absurdo na mineração, no petróleo, na siderurgia. Para que? Se isso pode ser tocado pela iniciativa privada?
Pode, sim. Mas não de acordo com os interesses nacionais, se o Estado não puder gerar pressões e participar das decisões. Esta história de “só regulação”, sim, é que é uma balela. Ou deveríamos, entrar, criar uma “Anacado”, Agencia de Reguladora dos Supermercados? Com Cade ou sem Cade, alguém pode negar que a economia brasileira está se oligopolizando?
A economia mundial, hoje, é global. E temos de, dentro dela, nos proteger no que é possível e avançar pelos espaços abertos.
Veja: está errado a Petrobras tirar petróleo no Golfo do México, se os americanos abrem seu petróleo para qualquer empresa privada, de qualquer país? Por este raciocínio, a empresa deveria abandonar as atividades lucrativas que tem por lá e só investir aqui. Mas é lucrativo e o lucro gerado lá ajuda a sustentar o baita investimento que a nossa petroleira faz aqui.
Ao mesmo tempo em que fazemos isso, defendemos aqui o nosso petróleo.
Os chineses, que já citei, também estão investindo em toda a parte – eles têm muito mais capital que nós – mas vá você abrir uma empresa lá para ver se eles não condicionam isso à conveniência do país, à participação de capitais nacionais e a exigências de participação no controle estratégico do negócio.
E o negócio de alimentos e varejo é um grande negócio, hoje fortemente internacionalizado. Passou o tempo em que eram negócios familiares – quem é mais velho, como eu, lembra do slogan das “Casas da Banha, uma família – a família Veloso, de origem portuguesa – a serviço do povo”, que nós, cariocas, rapidamente readaptamos para “uma família (aí entrava um verbo impublicável) o povo”. Ou apelar para os sentimentos de rejeição que, historicamente, temos em relação aos atacadistas, lembrando até da expressão, tão viva nos anos 50 e 60, dos “tubarões da Rua do Acre”, que era como estes comerciantes de atacado eram chamados.
Ser progressista e de esquerda é, para não seguirmos o caminho do insustentável, trabalhar com a realidade. Mantendo os princípios e objetivos, mas sabendo ser flexível na forma de agir. E não confundindo o que são nossos desejos pessoais com a realidade econômica, mas nos protegendo – como país e como povo – diante dela.
Seria fácil entrar em “onda”. Seria mais fácil dizer: “ah, que absurdo”. Ou insinuar – às vezes mais que isso – que há aí uma grossa roubalheira, aproveitando o fato de que a grande maioria não gosta de deixar seu dinheiro nos supermercados – eu, inclusive – e não tem nenhuma simpatia por eles.
Poderia defender, quem sabe, as quitandas e mercearias – e temos mesmo de defender o comércio local – e “esquecer” que vocês e eu, na hora de fazermos compras do mês, vamos a um supermercado, que se tornou um setor indispensável na vida urbana que têm mais de 80% dos brasileiros.
O Governo Lula entrou em vários negócios de fusão e aquisição e nem por isso a gente acha que é “maracutaia”, embora em cada um deles o exame das condições deva ser obejto de análise e, alguns, de crítica.
Não posso encerrar o post sem registrar que o titular deste blog tem uma visão um pouco menos favorável que a que tenho manifestado aqui, com inteira liberdade.Mas a polêmica é boa, e aprendi com o velho Brizola, que lenha boa é a que sai faísca.
Talvez por ser mais velho, o “mais de meio século” já me tenha feito ver que, sem o Estado, o Brasil é uma vítima indefesa da cobiça internacional.
Ela quer o mercado e, como é um predador que devora só as grandes presas, nos deixa ficar com as quitandas e mercadinhos, enquanto eles não falirem, até porque, sem volume para concorrer e pressionar fornecedores, sem cadeias logísticas que trabalhem em larguíssima escala, elas criam um referencial de preço em que lucrar “um pouco menos que o absurdo” nos supermercados é vender barato.
Se você assina a Folha e não concorda que um veículo de comunicação se sinta no poder de mentir, enganar o leitor e denegrir a imagem de uma pessoa, então te convidamos a cancelar sua assinatura e optar por um outro veículo, que respeite nosso direito de informação com qualidade.