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sábado, 23 de julho de 2011

Miro Borges e a marcha dos cheirosos


O leitor Calves alertou e a gente republica aqui o post do Altamiro Borges, um blogueiro que não dorme no ponto.

Mídia golpista convoca protestos de rua

Por Altamiro Borges
Testando o clima político, a mídia demotucana tem atiçado os seus leitores, telespectadores e ouvintes para sentir se há condições para a convocação de protestos de rua contra o governo Dilma. O mote dos filhotes de Murdoch seria o do combate à corrupção, o da “ética”. A experiência a copiar seria a da “revolução dos indignados” na Espanha.
Na prática, o objetivo seria o de reeditar as “Marchas com Deus”, que prepararam o clima para o golpe de 1964, ou o finado movimento Cansei, de meados de 2007, que reuniu a direita paulistana, os barões da mídia e alguns artistas globais no coro do “Fora Lula”. Até agora, o teste não rendeu os frutos desejados. Mas a mídia golpista insiste!
Visão conspirativa?
A idéia acima exposta pode até parecer conspirativa, amalucada. Mas é bom ficar esperto. Nos últimos dias, vários “calunistas” da imprensa têm conclamado a sociedade, em especial a manipulável “classe média”, a se rebelar contra os rumos do país. Parece algo articulado – “una solo voz”, como se diz na Venezuela sobre a ação golpista da mídia.
O primeiro a insuflar a revolta foi Juan Arias, correspondente do jornal espanhol El País, num artigo de 11 de julho. O repórter, que adora falar besteiras sobre o Brasil, criticou a passividade dos nativos, chegando a insinuar que impera no país a cultura de que “todos são ladrões”. Clamando pela realização de protestos de rua, ele provocou: “Será que os brasileiros não sabem reagir à hipocrisia e à falta de ética de muitos dos que os governam”.
O Globo e Folha
Logo na sequência, dia 17, O Globo publicou reportagem com o mesmo tom incendiário. O jornal quis saber por que o povo não sai às ruas contra a corrupção no governo Dilma. Curiosamente, o que prova as péssimas intenções da famiglia Marinho, o diário só não publicou as respostas do MST, que desmascaram as tramas das elites (leia aqui).
Já nesta semana, o jornal FSP (Folha Serra Presidente) entrou em campo para reforçar o coro dos “indignados”. No artigo “Por que não reagimos”, de terça-feira (19), o colunista Fernando de Barros e Silva, que nunca escondeu a sua aversão às forças de esquerda, relembrou a falsa retórica udenista do falecido Cansei:
O resmungo dos “calunistas”
“Por que os brasileiros não reagem à corrupção? Por que a indignação resulta apenas numa carta enviada à redação ou numa coluna de jornal. Por que ela não se transforma em revolta, não mobiliza as pessoas, não toma as ruas? Por que tudo, no Brasil, termina em Carnaval ou em resmungo?”.
Hoje, 21, foi a vez de Eliane Cantanhêde, a da “massa cheirosa do PSDB”. Após exigir que Dilma seja mais dura contra a corrupção, ela cobra uma reação da sociedade. “A corrupção virou uma epidemia… E os brasileiros que estudam, trabalham, pagam impostos e já pintaram a cara contra Collor, não estão nem aí? Há um silêncio ensurdecedor”.
Seletividade da mídia
Como se observa, o discurso é o mesmo. Ele conclama o povo a ir às ruas contra a corrupção… no governo Dilma. De quebra, ainda tenta cravar uma cunha entre a atual presidenta e o seu antecessor. A corrupção seria uma “herança maldita” de Lula. A intenção não é a de apurar as denúncias e punir os culpados, mas sim a de sangrar o atual governo.
Na sua seletividade, a mídia demotucana nunca convocou protestos contra o roubo da privataria tucana ou contra a reeleição milionária de FHC. Ela também nunca se indignou e exigiu que sejam desarquivadas as quase 100 CPIs contra as maracutaias do governo do PSDB de São Paulo. Para a mídia golpista, o discurso da ética é funcional. Só serve para os inimigos!
Acorda Dilma!
É bom a presidenta Dilma ficar esperta. O tempo está se esgotando. A fase do “namorico” com a mídia acabou. Das denúncias de corrupção, que já sangram o governo há quase dois meses, a imprensa partidarizada já passou para a fase da convocação de protestos de rua. Como principal partido da oposição, a mídia retomou a ofensiva. E o governo se mantém acuado, paralisado, sem personalidade.
Fonte: Tijolaço

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Lula recebe e promete honrar título de Doutor Honoris Causa



Depois do discurso do governador Eduardo Campos, o reitor da Universidade Federal de Pernambuco, Amaro Lins, falou em nome das três universidades (UFPE, UFRPE e UPE) sobre a concessão do título de Doutor Honoris Causa ao ex-presidente Lula. Ele pediu para que todos os conselheiros ficassem de pé e questionou se o ex presidente aceitava a outorga. Às 10h35 Lula iniciou o pronciamento, afirmando que recebe o título e que promete honrar a homenagem.

A solenidade é uma oportunidade para observar o cerimonial universitário, seus rituais e sua pompa. Na cerimônia, o ex-presidente entrou no teatro acompanhado de uma comissão de honra, composta por nove pessoas, das quais três de cada universidade. A comissão acompanhou Lula até o palco, sentando-se na platéia em seguida.

Lula recebeu as chamadas "vestes talares, tradicionais roupas do protocolo acadêmico que remontam ao cerimonial multissecular das universidades europeias em especial a Universidade de Coimbra, da qual as universidades brasileiras herdaram a maior parte das tradições protocolares e o cerimonial.

Quando recebeu o título, o ex-presidente recebeu a samarra e o capelo. A samarra é uma espécie de capa, cujas cores são específicas de determinadas áreas do conhecimento. Ele receberá uma samarra vermelha, em alusão à área de Ciências Humanas, cujo centro na UFPE propôs a homenagem. A tradição e uso da samarra vêm de uma antiga vestimenta usada por camponeses europeus, que, na Idade Média, era feita de pele de carneiro, tratada até alcançar grande alvura.

Das mãos do reitor Amaro Lins, Lula recebeu o capelo, chapéu privativo do reitor, do vice-reitor, dos Professores Eméritos e dos Doutores Honoris Causa. O reitor usa o capelo branco, representando o poder temporal (analogia com a coroa real) e também a samarra branca. E o ex-presidente usará capelo vermelho, compondo o traje com a cor das Ciências Humanas.

Com informações da repórter Ana Luíza Machado

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Movimentos Sociais repudiam banda lenta, cara e sem universalização


Para o conjunto dos movimentos sociais brasileiros, o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) representa a afirmação de uma democratização do acesso à internet, apontando para a universalização dos serviços – com controle de tarifas, meta de qualidade e continuidade de serviços – dentro de uma concepção de desenvolvimento baseado na geração de renda e na inclusão social.
Infelizmente, o “acordo” fechado pelo Ministério das Comunicações com as teles relega inteiramente esta estratégia, afrontando o interesse nacional em prol da sede de lucro fácil dos monopólios privados.
Na prática, as teles ganharam do governo um cheque em branco para faturar alto com uma banda lenta, cara e sem universalização, enquanto continuam praticando preços extorsivos, fortalecendo sua concentração nas faixas e locais de maior poder aquisitivo, com serviços de péssima qualidade.
Além de inaceitáveis, os termos do dito “acordo” do Ministério com as teles afrontam o interesse social e rasgam as diretrizes do próprio Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), dando as costas ao imenso acúmulo possibilitado pela Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), que apontava para um maior protagonismo do  Estado e para o fortalecimento da Telebrás, como elementos decisivos para a universalização da internet, vista como um direito.
A forma como foi assinado o “termo de compromisso”, sem qualquer participação ou consulta às entidades diretamente envolvidas, é reveladora do seu conteúdo, já que ninguém se disporia a endossar tal leviandade.
Dito isso, vamos aos fatos porque denunciamos e repudiamos tal “acordo”:
1)Não há metas nem garantia de qualidade.
O Ministério admitiu que é “compreensível”, por causa da “concorrência”, as teles não divulgarem onde e quando vão implantar a suposta banda larga de 1 Mbps a R$ 35,00. Além disso, não há garantias de qualidade, o que significa uma internet de segunda categoria para a população com menos recursos financeiros. O plano prevê, por exemplo, uma velocidade muito baixa de envio (upload) de 128 kbps. Assim, quem quiser postar vídeos vai demorar horas.
2) Velocidade tartaruga.
A velocidade de 1 Mbps é somente “nominal”. Hoje, as teles oferecem 1/16 da velocidade que está no contrato com o usuário, abaixo até do ridículo limite da Anatel (10% da “nominal”). É como se o consumidor fosse ao supermercado comprar dez quilos de feijão e levasse para casa apenas um quilo, pagando pelos dez. Mas nem mesmo este limite indecente da Anatel consta do “termo de compromisso” assinado pelo Ministério.
Pior, as teles foram autorizadas a reduzir a velocidade se o usuário ultrapassar 300 Mbytes de “download” por mês (o que poderá fazer com que para baixar um vídeo ou uma música se perca horas ou mesmo não possa ser feito) ou 500 Mbytes no caso da Oi, o que condiciona completamente o uso da internet e impede o uso pleno do serviço. Portanto, quem definirá a velocidade – sempre lenta para fomentar a migração do usuário para outros planos mais lucrativos para as teles – será a própria operadora.
3) Venda casada.
Embora o Ministério tenha afirmado que o pacote de R$ 35 não estaria condicionado à venda casada, o “termo de compromisso” permite essa prática na banda larga fixa, com teto de 65 reais para o pacote. O pacote de 35 reais sem venda casada só é obrigatório na banda larga móvel.
4) Multas viram investimento.
As punições às teles por infrações, nem ao menos serão simbólicas: não haverá processo administrativo se o “termo de compromisso” for desrespeitado. As sanções podem ser transformadas em investimentos em áreas economicamente não atrativas. Na prática, as empresas podem trocar o não cumprimento de metas determinadas no termo de compromisso por expansão de sua própria rede. Ou seja, vão embolsar o dinheiro das multas. Mais: se a Anatel disser que houve correção da irregularidade, as multas serão extintas – sem que o dinheiro saia do caixa das teles.
5) Abandono da área rural.
Foram retiradas as metas para banda larga do III Plano Geral de Metas para a Universalização do Serviço Telefônico Fixo (PGMU, v. Capítulo IV, artigos 21 a 24, DOU, 30/06/2011). Até na telefonia fixa, o “novo” PGMU dispensou as teles de obrigações na área rural, se não se interessarem em explorar as faixas de 451 Mhz a 458 Mhz ou de 461 Mhz a 468 Mhz (cf. artigo 9º, parágrafo 2º, DOU, 30/06/2011). Note-se que, ao contrário da banda larga, a telefonia fixa está sob regime público. Mas as teles é que decidem.
6) Acordo pra inglês ver.
O “termo de compromisso” deixa de valer caso as teles aleguem que os seus custos aumentaram.
Sinteticamente, aqui estão os motivos pelos quais os movimentos sociais reivindicam do governo federal que o Estado retome o protagonismo no setor, voltando a investir na  Telebrás como instrumento de políticas públicas, e retome o diálogo com as entidades populares, para sanar o erro cometido. Para nós, a luta pela democratização da comunicação e pela universalização da banda larga são indissociáveis, como direitos inalienáveis do povo brasileiro que não podem ser pisoteados em função dos grandes conglomerados privados.
Para transformar estas bandeiras em conquista efetiva da sociedade brasileira, a Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS) convoca desde já o conjunto das entidades populares a se somarem para a construção de uma grande manifestação no dia 15 de agosto. É hora de levantarmos a voz em defesa da democracia e reivindicar do governo que atenda ao clamor da sociedade e não das teles.
Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS):
CUT – MST – CMP – UNE – UBES – ABI – CNBB/ PS – Grito dos Excluídos – Marcha Mundial das Mulheres – UBM – CONEN – Coordenação Nacional de Entidades Negras – UNEGRO – MTD – Movimento dos Trabalhadores Desempregados – MTST – CONTEE – CNTE – CONAM – Confederação Nacional das Associações de Moradores – UNMP – Ação Cidadania – Cebrapaz – ABRAÇO – CGTB – INTERVOZES – CNQ – FUP – SINTAPI –ANPG – CTB – CMB – MNLM.

“Torcida” contra o emprego, não jornalismo.


Não foi falta de paciência de esperar que os editores de  sites pensassem melhor e mudassem as chamadas sobre os dados divulgados hoje sobre criação de empregos. Nada feito. É só azedume.
Evidente que estas chamadas provocam no leitor a impressão que estamos vivendo uma crise de emprego, quando nunca, mesmo no ano passado, o Brasil esteve tão bem neste setor.
Junho, cujos números foram divugados hoje, foi o segundo melhor resultado da história deste mês, melhor inclusive que junho do ano passado e só inferior ao mesmo mês em 2008, com a economia mundial no auge do aquecimento que antecedeu a crise.
A diferença apontada sobre o primeiro semestre do ano passado está concentrada unicamente em um mês, o de março, quando o terror inflacionário e as previsões catastróficas da mesma mídia estavam no auge. Ali se registrou uma diferença de mais de 170 mil vagas (92 mil este ano, contra 266 mil em 2010).
Um fenômeno que não se repetiu, muito ao contrário. Hoje mesmo o IBGE divulgou o desemprego nas regiões metropolitanas: o menor já registrado.
Oss Estados Unidos, com todas as injeções de dinheiro feitas pelo Federal Reserve, em junho, só conseguiram gerar 18 mil empregos em junho. Aqui, você vê no gráfico, foram 215 mil, doze vezes mais, com uma economia muito menor e uma massa populacional inferior.
Nada do que é dito neste post é versão: são fatos, dados, números e comparações reais.
A nossa mídia, entretanto, não faz jornalismo informativo, faz campanha.
Não suporta ver o Brasil sem a “roda presa”.
É com ela que vamos contar para a comunicação entre Governo e o povo brasileiro?
Fonte: Tijolaço

segunda-feira, 18 de julho de 2011

New York Times, sobre a FIFA: “A cultura é a mesma de uma gangue”

For FIFA Executives, Luxury and Favors [Para executivos da Fifa, luxo e favores]
By DOREEN CARVAJAL
Published: July 17, 2011
Paris – Os titãs do futebol mundial estão acostumados às mordomias. Batedores. Proteção policial. Hotéis cinco estrelas. Jantares luxuosos. Diárias de 500 dólares por dia, e 250 dólares adicionais para suas esposas ou namoradas.
Os 24 integrantes do comitê executivo da FIFA — a associação que governa o futebol e organiza a Copa do Mundo — formam a elite de um clube masculino, faturando salários e bônus anuais de até  300 mil dólares, além de várias outras mordomias. Para isso, tudo o que precisam fazer é aparecer em alguns encontros privados, anualmente, para discutir regras, sanções e questões legais e, mais importante, para eventualmente votar no país que vai sediar o campeonato mundial.
Agora esta elite está sob pressão como nunca, com um deles, Mohamed bin Hammam, do Catar, acusado de pagar propinas para membros de escalões mais baixos na tentativa de derrubar o antigo presidente da FIFA, Sepp Blatter. Ao mesmo tempo, permanecem em aberto questões sobre como a Rússia e o Catar foram escolhidos para sediar as copas de 2018 e 2022.
Mas o topo da FIFA é um santuário tão dourado que poucos especialistas acreditam que a debatida investigação ética interna do caso Bin Hammam, marcada para os dias 22 e 23 de julho em Zurique, vai levar a mudanças fundamentais.
“Não é [um espaço] democrático, nem governado pela transparência”, disse Gunter Gebauer, um professor de filosofia esportiva da Universidade de Berlim, na Alemanha. “É uma cultura masculina de dar e receber e fazer e prestar favores. É uma cultura que em alguns aspectos é a mesma de uma gangue”.
De fato, enquanto Bin Hamman enfrenta uma investigação ética, ele é apenas um dos nove integrantes do comitê que foram acusados de receber propinas nos últimos dois anos, a maioria referentes a votos para escolher a sede da Copa do Mundo.
Na FIFA, parece ter havido nos últimos anos uma linha fina separando uma cultura de proteção mútua e outra de corrupção aberta. Essa ambiguidade assustou Graham Taylor, ex-jogador de futebol britânico que gerenciou uma das equipes nacionais do Reino Unido, quando ele serviu brevemente no comitê assessor técnico da FIFA, de 18 membros, no início dos anos 90. Durante um encontro do comitê na Suiça que foi aberto com “um jantar de cinco estrelas, seguido por um almoço de cinco estrelas” depois de uma reunião no dia seguinte, ele achou estranho o ritual pelo qual os integrantes do comitê formaram uma fila.
“Nós fizemos fila como meninos e recolhemos nosso dinheiro”, disse Taylor. “Um homem na fila me disse que eu deveria pedir a devolução do dinheiro da passagem aérea, embora ela já tivesse sido paga pela FIFA. Ele disse: ‘Peça tudo de volta e abra uma conta bancária na Suiça. Depois de alguns anos o dinheiro vai acumular’”.
Apesar das nuvens que se acumulam sobre a organização, alguns informantes na família FIFA insistem que a organização está limpando a casa. Chuck Blazer, um norte-americano no comitê executivo que denunciou Bin Hamman no caso da propina, disse que o trabalho do comitê de ética demonstra que ele é independente e tem “dentes reais”, já que confrontou Bin Hamman e outro poderoso executivo da FIFA, Jack Warner.
Nações que competem por eventos reclamam que os padrões éticos da FIFA são tão ambíguos que membros do comitê não conseguem distinguir entre fazer negócios ou fazer negociatas. Particularmente, eles citam o programa “legado” da FIFA, que encorajou nações-candidatas a sediar torneios a financiar projetos de desenvolvimento do futebol. A Austrália, por exemplo, contribuiu com cerca de 300 mil dólares para que o time sub-20 de Trinidad e Tobago disputasse um campeonato em Chipre. A contribuição foi dada através de Warner, que pediu demissão em conexão com as acusações contra Bin Hammam.
“Foi um grande erro quando eles falaram que, para se candidatar, era necessário deixar um legado e quando ‘legado’ foi definido”, disse Blazer. “As pessoas cairam em armadilhas ao lidar com essa questão”.
Embora Blazer tenha sido apontado como alguém que denunciou corrupção, no domingo ele enfrentou críticas por um arranjo pelo qual sua empresa num paraíso fiscal, a Sportvertising, recebeu 10% dos contratos de patrocínio e direitos de TV da Confederação de Futebol da América do Norte, Central e do Caribe (CONCACAF). O arranjo foi primeiro denunciado por Andrew Jennings, um jornalista investigativo do Reino Unido que tem trabalhado com a BBC. A companhia de Blazer, registrada nas ilhas Cayman, recebeu pagamentos de milhões de dólares anualmente, de acordo com Jennings.
Blazer disse que o contrato foi parte de seu “pacote de compensação” e uma fórmula bem sucedida para “dar incentivos e resultados”, quando a confederação ainda não tinha renda.
Durante sua campanha para ganhar para o Reino Unido a Copa do Mundo de 2018, Lord David Triesman disse que testemunhou pessoalmente pedidos óbvios de propina. Ele diz que está confuso pelo fato de a FIFA não investigar os integrantes do comitê executivo ou acusações feitas por ele.
“Não sei como isso é possível no mundo moderno, porque vivemos em um mundo transparente”, Triesman, o ex-presidente da federação de futebol britânica, disse em uma entrevista. “Para um conselho relativamente pequeno, houve suficientes críticas para você imaginar que ele se perguntariam ‘estamos fazendo direito?’”.
Ao testemunhar diante de um comitê parlamentar sobre esportes e cultura no Parlamento britânico, Triesman disse que foi pressionado por quatro integrantes do comitê executivo da FIFA em diferentes oportunidades, inclusive com um convite aberto: “Venha e me diga o que tem para mim”.
De acordo com Triesman, os pedidos foram de 2,5 milhões de dólares para a academia de uma escola em Trinidad — com o dinheiro entregue através de Warner — a direitos de televisão para um jogo amistoso entre Inglaterra e Tailândia para homenagear a coroação do rei da Tailândia.
Na semana passada, o comitê parlamentar britânico divulgou seu relatório final, declarando que estava chocado com as acusações de corrupção e alertando que “a FIFA tem dado a impressão de que pretende varrer as acusações para debaixo do tapete”.
Desde que foi fundada em 1904 em Paris, a FIFA se tornou uma organização extremamente rica, com reservas de cerca de 1,3 bilhão de dólares e lucro no ano passado de 1,2 bilhão de dólares em direitos de televisão e marketing em todo o mundo. Ela também se beneficia da isenção fiscal na Suiça para organizações esportivas, uma ajuda considerável que começa a levantar debate político nos cantões suiços à luz dos vários escândalos de corrupção.
“Eles tem as mesmas vantagens das associações de canto locais, mas são muito maiores”, disse Roland Buechel, um integrante do Parlamento suiço. “Não posso concordar com isso se eles não se comportarem adequadamente”.
Por causa das isenções fiscais, Buechel se disse particularmente preocupado com um item do mais recente relatório anual da FIFA, divulgado em junho, que incluia “benefícios de curto-prazo para executivos”, sem especificar quais. Um total de 32,6 milhões de dólares, 55% a mais que no ano anterior, foram pagos a integrantes-chaves do gerenciamento da FIFA, inclusive a membros do comitê executivo.
Como o dinheiro foi dividido, exatamente, é um segredo, o mesmo se aplicando a informações básicas da FIFA, como os salários dos executivos — mais um exemplo da falta de transparência da entidade, que trabalhou com a One World Trust, uma organização sem fins lucrativos, em 2007, para avaliar seus padrões de transparência mas não adotou muitas das recomendações do grupo.
“Há uma forte diferença entre o que a organização diz que está fazendo e a forma como ela funciona”, disse Michael Hammer, diretor-executivo da One World Trust, uma organização baseada em Londres que desenvolve padrões de governança e de decisões executivas.
Hammer disse que o dinheiro da FIFA “foi usado como forma de influenciar a maneira como a organização toma suas decisões”, começando com os salários do comitê executivo — criados por Blatter em 1998, logo depois de sua eleição. “As pessoas tinham incentivos para trabalhar com o presidente de forma a não perder sua renda”, ele disse.
Os lucros e as mordomias criaram uma atmosfera na qual a elite dos integrantes da família FIFA começaram a pensar em si como especiais, de acordo com especialistas e pessoas envolvidas com as nações que disputaram sedes de eventos de futebol.
Alguns integrantes do comitê executivo viajaram para países que disputavam eventos exigindo projetos de desenvolvimento, disse Bonita Mersiades, uma ex-chefe de assuntos corporativos para o projeto da Copa do Mundo na Austrália: “Este é um grande eufemismo para dinheiro. Você nunca sabe o que acontecerá com esse dinheiro”.
Os integrantes do comitê executivo viajam como dipl0matas, evitando as alfândegas e atravessando as cidades em caravanas protegidas pela polícia. As nações que disputam a Copa enchem estes homens de presentes: abotoaduras de pérola, bolsas Burberry e caixas de vinho fino.
“Eles são colocados nos hotéis mais luxuosos, transformados no que se chama de ‘clubes FIFA’”, disse Alan Tomlinson, um professor e diretor do Centro de Pesquisas em Esportes da Universidade de Brighton, na Inglaterra. “É uma versão moderna dos velhos castelos medievais, patrulhados por guardas do lado de fota. Quando vi os membros do comitê executivo da FIFA entrando e saindo destes clubes, eles pareciam muito desconfortáveis ao encarar o mundo real”.
Desde que foi suspenso do comitê executivo, Bin Hammam tem evitado entrevistas, justificando apenas com uma nota: “Não estou em posição de falar”. Mas ele publicou recentemente uma declaração em seu blog pessoal reclamando de vazamentos e de uma investigação comprometida.
Sua esperança, ele escreveu, é que qualquer decisão a respeito do caso fique dentro da família FIFA — o comitê de ética — e não seja baseada “na vontade das pessoas de fora”.
PS do Viomundo: Acabo de ler Jogo Sujo, de Andrew Jennings. Talvez por falta de conhecimento do mundo do futebol, fiquei estupefato.
Fonte: Vi o mundo

À deriva, seleção da CBF e da Globo perde-se mais

O futebol brasileiro, dentro e fora do campo, murcho... 
A seleção de Mano Menezes e dos craques, Neymar, Ganso e Pato (além da Globo e do Teixeira), caiu vergonhosamente em uma quartas de finais da Copa América diante do Paraguai e tendo vencido apenas o Equador, nas quatro partidas que realizou na competição.


A eliminação precoce parece resultado de um grupo dividido, experientes, os remanescentes da era Dunga, e os jovens “mega estrelas” impostos para seleção pela qualidade do futebol apresentado em seus clubes e pela campanha de Galvão Bueno na Globo.

O clima pesou, claramente, na concentração após a sucessão de empates na primeira fase, expondo uma divisão entre as gerações de atletas ali presentes e, possivelmente, comprometendo a liderança dos mais experientes dentro do grupo.

Mas mais do que analisar o futebol apresentado em campo pelos canarinhos, o que qualquer pessoa pode perceber o quanto foi aquém do que poderiam render, o que pesa nesta análise é o fator extra-campo.

“Oba-oba” para vender o produto ao espectador
Quem acompanhou a cobertura da competição pode, também, perceber que os jovens talentos foram superdimensionados, em seus talentos e capacidade de decidir,pela emissora oficial da CBF e que a bagunça do acesso livre, a qualquer hora e lugar, da Globo aos jogadores repetiu o fiasco de 2006.

A emissora abusou, novamente, em sua cobertura, criou “produtos” para garantir boas audiências nos jogos. 
O resultado não foi o esperado, na audiência e dentro de campo.
Neymar, Ganso e Pato foram tratados como “semi-deuses” do futebol brasileiro. São ótimos jogadores, mas não aquilo que a Globo fez o torcedor crer para prendê-lo na poltrona durante as transmissões dos jogos.

Ser eliminado precocemente é um prejuízo enorme para o time, mas também para o retorno publicitário da Globo. Jogos a menos, menor exposição, contratos depreciados no futuro. O produto não corresponde ao investimento, de imagem e espaço publicitário, isso parece óbvio.

A bagunça na CBF e os negócios suspeitos
Soma-se a isso a total bagunça e desconfiança sobre os negócios da direção da CBF e o envolvimento de Ricardo Teixeira em várias denúncias de corrupção nos bastidores do futebol mundial.

Para tornar ainda mais complicado o cenário, nada promissor, do futebol brasileiro, o dirigente máximo da CBF em uma entrevista a revista Piauí afirmou, grosseira e categoricamente, que ta “cagando e andando” para as denúncias contra ele, pois como se sabe, Teixeira é a CBF encarnada e que enquanto as denúncias não passarem no Jornal Nacional não se estressará com todos os problemas que envolvem seu nome e o da CBF, ou vice-versa.

Disse isso porque sabe que sua aliada, a Globo, não fará nenhuma matéria investigativa contra ele, nem tampouco os demais órgãos de imprensa do grupo.

Seus negócios se preservam obscuros na cumplicidade de quem se gaba como um defensor da liberdade de imprensa e da defesa da ética, a toda poderosa Vênus platinada.

A Globo mistura, nefastamente, seus interesses comerciais com a sua pauta jornalística, uma parece anular a outra para tornar o seus produtos límpidos, cercados de uma aura olímpica de probidade: “aos amigos tudo, aos inimigos a manipulação”.

A “destituição global” de Dunga e o fiasco de 2006
Em 2010 a Globo, com a complacência da CBF, destituiu Dunga do comando técnico da seleção bem antes do mesmo ser, de fato, demitido do cargo de técnico. A imposição da comissão técnica em buscar um ambiente tranqüilo, longe das badaladas entrevistas exclusivas, a qualquer hora e lugar, da Globo irritou a direção de esportes da emissora que começou uma campanha, disfarçada, contra o técnico, até derrubá-lo.
Desde então a Globo implodiu o Clube dos 13, "melou" a primeira licitação em condições de igualdade pelos direitos de transmissão do brasileirão, cooptando os principais clubes do país, e o Dunga não conseguiu dirigir nenhuma grande equipe brasileira...Represália?

Dunga e sua comissão técnica agiram desta maneira por conta do fracasso de 2006, na copa da Alemanha, em que a concentração do selecionado brasileiro de futebol mais parecia uma colônia de férias do que um preparatório para a mais importante competição mundial.

Imagens diárias de jogadores alegres sendo agarrados por fãs nos gramados, entrevistas exclusivas até de madrugada, exposição exagerada e festiva de jogadores, “explorados” durante a programação esportiva como craques celestiais invencíveis. Caímos diante da França de Zidane, nas quartas de finais, tal como ocorreu agora na Copa América.

E se fosse Dunga o técnico, teria Galvão Bueno poupado o comando técnico da CBF como o fez ontem com Mano Menezes?

No momento o buraco do gramado, que atrapalhou tanto o Brasil quanto o Paraguai na cobrança de pênaltis, parece ser o maior vilão.

Além, claro do fator psicológico, bastante explorado no pós jogo, mas, de fato, um quesito capital no jogo de ontem, porque é evidente que a seleção não tem comando, dentro e fora de campo, mais além, não tem respaldo institucional para se apresentar dignamente.


Fonte: Palavras Diversas
Leia também:

Executiva de Murdoch é presa na Inglaterra


Deu agora de manhã, na BBC:
A ex-editora (nota: “ex” só desde sexta-feira) do tabloide News of the World Rebekah Brooks foi presa neste domingo, em Londres.
Brooks deixou a posição de presidente-executiva do grupo News International, pertencente a Rupert Murdoch, na última sexta-feira após enfrentar pressão devido a seu suposto envolvimento com o escândalo de grampos telefônicos e compra de informações de policiais.
A polícia de Londres confirmou que Brooks, de 43 anos, está detida, suspeita de envolvimento em corrupção e em conspiração para interceptar comunicações.
Ela é a décima pessoa a ser presa durante as investigações do escândalo envolvendo o jornal News of the World, que teve sua última edição publicada uma semana atrás.
Será isso um atentado “à liberdade de imprensa”? Obvio que não, mas aqui na América Latina, seria. “Chavismo” puro, aliás. E a Sociedade Interamericana de Imprensa, a SIP, estaria indo à ONU, com a campanha “Libertem Rebekah!“.
Ou não seria assim?
Fonte: Tijolaço