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quinta-feira, 28 de julho de 2011

Breivik ‘mora’ em Higienópolis e odeia ‘gente diferenciada’


Além da diferença óbvia quanto a métodos, alguém sabe explicar a diferença ideológica entre o terrorista norueguês Anders Behring Breivik e os três mil moradores do bairro paulistano de Higienópolis que não querem dividir espaços públicos do seu bairro – que bem poderia ser um Estado ou um país – com “gente diferenciada”?
Tenho visto pessoas que reconheceram o “direito” dos moradores do bairro paulistano de não quererem pessoas “diferenciadas” onde vivem criticarem Breivik por exigir o mesmo “direito”. No fundo, portanto, é tudo a mesma coisa: o incômodo com pessoas de outras etnias, de outros credos, nascidas em outras partes, é o mesmo.
Ah, mas alguém dirá que Breivik é racista porque criticou a miscigenação no Brasil. É mesmo, é? Então ele é diferente, por exemplo, dos paulistanos de classe média alta – e, sobretudo, dos ricos – dos bairros nobres de São Paulo que chamam nordestinos (negros e mestiços) de “baianos” e que os dizem “raça indolente e burra”?
Alguém aqui tem a coragem de negar que, durante a vida, conheceu várias pessoas do Sul e do Sudeste do Brasil – não só, mas principalmente – que chegam a pregar que não se dê emprego a “baianos” ou “paraíbas” porque pessoas que cabem nesse preconceito não seriam confiáveis, não teriam inteligência ou não gostariam de trabalhar?
Cena meio recente: durante comemoração do aniversário de uma moça de classe média em um amplo apartamento de um bairro nobre de São Paulo, grupo de sete pessoas (três homens e duas mulheres de meia idade, uma jovem e uma mulher idosa) conversam sobre separatismo. Isso mesmo: querem separar o Estado do resto do país.
A garota diz que não suporta “baianada”, ao que os mais velhos aderem. “Baianada” seriam os costumes de qualquer nordestino descendente de negros, sobretudo se tiver sotaque pronunciado. Fala-se da cultura (música, forma de se comunicar, gosto por roupas), mas não só. Sobretudo, falam sobre degenerescência genética.
Faça um teste: procure se lembrar de onde já leu ou ouviu “idéias” como a do extremista norueguês de direita Anders Breivik sobre etnias (cor da pele e traços físicos) ou sobre a cultura de outro povo.
Reflita: o demente europeu, ao dizer que a “mistura de raças” no Brasil é responsável pela nossa suposta “falta de coesão interna”, mentiu? Não é verdade que setores da sociedade brasileira não aceitam conviver ou sequer dar emprego a “baianos”, a “paraíbas” ou a “veados”?
Qual é a diferença entre Breivik e a deputada carioca Myriam Rios, que exibiu outra das características do congênere ideológico europeu, a homofobia, pregando que se neguem empregos a homossexuais? Quantas pessoas por aqui, da mesma forma que Breivik, concordaram, sobretudo na internet, com o “perigo gay” dito pela deputada?
Não é verdade que há falta de coesão no Brasil entre a etnia indo-européia, de um lado, e, por exemplo, a afro-brasileira de outro lado? Não é verdade que há uma intolerância aberta e assumida à orientação homossexual igualzinha à de Breivik?
Sim, resta a diferença de que a maioria desses setores da sociedade brasileira não transforma seus preconceitos contra “gente diferenciada” em ações violentas. Todavia, a maioria não é o todo, ou seja, há uma minoria capaz de ações como a do terrorista noruguês, no Brasil. E, apesar de ainda agir em baixa escala, age.
É provável que alguém como o psicopata norueguês que viva em Higienópolis e odeie “gente diferenciada” tenha assinado o manifesto dos moradores do bairro pedindo que o Estado não construísse uma estação de metrô ali para não atrair esse tipo de gente. Será então que Breivik mentiu sobre falta de coesão interna no Brasil?
Ele apenas constatou o preconceito de setor minoritário da sociedade brasileira que separa etnias e culturas, pois todos sabem onde negros, homossexuais e nordestinos não entram.  A solução é a lei ser dura com pessoas como aqueles três mil moradores de Higienópolis que, como Breivik, odeiam “gente diferenciada”
Fonte: Cidadania

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Sarney/Ustra contesta Cunha. Cunha responde


Sarney, Pertence, Grau: a História não os Anistiará


Nesta quarta feira, dia 27 de julho, à tarde, na 20ª Vara Cível da Justiça de São Paulo, o coronel Ustra enfrentará o passado, a consciência e a família do jornalista Luiz Eduardo Merlino, que o processa por danos morais.

Conversa Afiada publicou sobre o tema um artigo do jornalista Luiz Claudio Cunha.

Nesta manhã, recebeu dele o seguinte e-mail: 

O Sarney me rebateu, hoje, no CONGRESSO EM FOCO, e eu  – rápido no gatilho – repiquei em cima, disparando na testa.
Bota no ar. Não tá morto quem peleia, tchê!
No pasarán !
abração , LCC

Sarney responde a Luiz Cláudio Cunha


Segundo assessoria do presidente do Senado, ele não pretende depor no processo contra o coronel Brilhante Ustra, apesar de ter sido arrolado como testemunha de defesa

por Congresso em Foco


27/07/2011 07:00


Marcelo Tognozzi, jornalista e secretário de imprensa da Presidência do Senado, assessor do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), contestou as informações contidas no artigo publicado ontem na seção Fórum, “Sarney e o torturador, Ustra e o presidente”, de autoria do jornalista Luiz Cláudio Cunha. Tognozzi enviou um e-mail com seus argumentos para o próprio Luiz Cláudio Cunha, com cópia para o Congresso em Foco. Luiz Cláudio, por sua vez, respondeu a Tognozzi.


Abaixo, as contestações do assessor de Sarney e a tréplica de Luiz Cláudio, para que o leitor tire as suas próprias conclusões:


A contestação de Tognozzi:


“Caro Luiz Cláudio,

existem algumas imprecisões de ordem técnica no seu artigo de hoje publicado no Congresso em Foco, as quais merecem retificação. Me refiro aos fatos envolvendo o presidente José Sarney narrados por você:

1. O presidente José Sarney não recebeu qualquer citação da Justiça para comparecer no Forum João Mendes e depor como testemunha de defesa do coronel Ustra. Se receber, não irá comparecer porque se recusa a participar de uma farsa armada pela defesa de Ustra com o único objetivo de atrasar o processo em curso. Sarney esteve com Ustra apenas uma vez, quando era presidente da República e o encontrou no Uruguai ocupando o posto de adido militar. Foi nesta viagem que a ex-deputada Beth Mendes acusou Ustra de tê-la torturado e o Brasil conheceu seu passado de agente da repressão.  Portanto, não é correto afirmar que o senador Sarney aceitou ser testemunha do coronel Ustra e muito menos que ele irá “louvar e enaltecer o maior icone vivo da repressão mais feroz e mais longa”, conforme você escreveu.

2. Você pode verificar no andamento do processo em anexo, documento público emitido pela Justiça de São Paulo e disponível na internet, que o juiz ainda não mandou citar as testemunhas de defesa; apenas as testemunhas de acusação. No caso do presidente Sarney e do ex-senador Jarbas Passarinho, de 91 anos, ambos arrolados pela defesa de Ustra e residentes em Brasília, o rito processual, como você conhece bem, prevê a expedição de cartas precatórias para serem ouvidos em Brasília. Jamais, portanto, Sarney poderia depor no Forum João Mendes Junior, de São Paulo às 14h30 desta quarta-feira, dia 27, conforme você informou aos seus leitores. Não apenas porque ele se recusa a testemunhar a favor de Ustra, como também pelo rito da Justiça.

3. Como você sabe, fui membro do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) representando a  ABI. Por inúmeras vezes nos deparamos com casos semelhantes a este em que a defesa opta por adotar procedimentos protelatórios com o único e claro objetivo de tumultuar e atrasar o processo. Tanto o ex-ministro Paulo Vanucchi, que presidiu o CDDPH e que é citado por você no artigo, quando o advogado de acusação, Dr Fábio Konder, podem confirmar a rotina deste tipo de conduta por parte de alguns advogados de réus acusados de tortura.

4. O presidente Sarney nunca foi camarada do coronel Ustra e jamais manteve com ele qualquer vínculo de amizade. Em 1971, quando ocorreu o assassinato do jornalista Luiz Eduardo Merlino, Sarney havia acabado de assumir uma cadeira no Senado, eleito pelo Maranhão, após governar o estado e ter mantido relações de amizade com notórios perseguidos da ditadura como o ex-presidente JK. O próprio JK escreveu a Sarney agradecendo a forma como foi tratado por ele no Maranhão, após ser recebido com honras de ex-chefe de estado no dia 11 de dezembro de 1968, dois dias antes da edição do AI-5. Em 1967, o general Dilermando Gomes Monteiro já acusava Sarney de proteger comunistas, conforme documentos da 10a Região Militar levantados pela jornalista Regina Echeverria. O mesmo general Dilermando que comandava o II Exército quando foi assassinado o operário Manoel Fiel Filho. Sarney, como mostram os fatos, esteve sempre do lado oposto ao dos torturadores.

Agradeço sua atenção e espero que as imprecisões técnicas do artigo sejam devidamente corrigidas.


Marcelo S. Tognozzi

Secretário de Imprensa da Presidência do Senado”


A tréplica de Luiz Cláudio:

“Meu caro Marcelo Tognozzi,


Eu, como todo mundo que te conhece, respeita tua figura como jornalista, como integrante da brava Associação Brasileira de Imprensa e como representante da ABI no Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoas Humana (CDDPH). Imagino, portanto, todo o desconforto que te aflige, agora, com a missão impossível de defender o senador José Sarney como testemunha de defesa do coronel Brilhante Ustra.


Vou poupar meu amigo jornalista desse constrangimento e responder diretamente ao presidente do Senado Federal, para provar que não existem ‘imprecisões de ordem técnica’ que mereçam ‘retificação’ no meu texto publicado no Congresso em Foco (‘Sarney e o torturador, Ustra e o presidente’).


Presidente Sarney, como diria Jack, o estripador — ou Ustra, o torturador —, vamos por partes, segundo a ordem de suas observações. A saber:


1. O presidente Sarney se vale do detalhe burocrático de que ‘não recebeu citação da Justiça para depor como testemunha de defesa do coronel Ustra’. Não recebeu ainda, presidente, mas receberá, na condição de testemunha de defesa arrolada pelo réu. A Justiça está citando primeiro as testemunhas da acusação. Depois, quando chegar a vez da defesa, Sarney terá o privilégio de falar bem de Ustra, por carta precatória, junto com outros três militares — os generais da reserva Gélio Fregapani Paulo Chagas, Raymundo Maximiano Negrão Torres e Valter Bischoff  — e o ex-ministro e ex-senador Jarbas Passarinho.


2.   Não é difícil supor que a testemunha Sarney falará bem do réu Ustra, pois não tem lógica nenhuma invocar a palavra de quem possa piorar a situação de um acusado na Justiça. Ninguém imagina que Sarney tenha sido arrolado sem a sua prévia anuência. A não ser que, além de torturador (sentença de 2008 da Justiça paulista), Ustra seja também mal-educado. Da mesma forma, não é fácil imaginar o que de bom poderia dizer à Justiça a testemunha Sarney sobre o coronel que virou símbolo da violência militar do regime que Sarney, como fiel militante da Arena (a sigla da ditadura), sempre defendeu.


3. Diante da repercussão nacional que envolve agora o seu nome com o do notório chefe do DOI-CODI da rua Tutóia, o maior centro de repressão da ditadura, o presidente Sarney informa repentinamente, só na véspera da abertura do processo em São Paulo, que ‘não irá comparecer porque se recusa a participar de uma farsa armada pela defesa de Ustra com o único objetivo de atrasar o processo em curso’. Subitamente, o presidente Sarney anuncia ao país que a defesa de Ustra é ‘uma farsa armada para atrasar o processo’. Afinal, o que aconteceu? O que transformou o defensor Sarney em acusador? Quem traiu quem? Sarney enganou Ustra? Ustra iludiu Sarney? Ou ambos estão engambelando a Justiça e a opinião pública brasileira?


4. A informação de que Sarney defenderá Ustra circula há muito tempo na Justiça e na imprensa. Desde 24 de agosto de 2010, quando o processo cível nº 583.00.2010.175507-9 desembarcou na 20ª Vara Cível do Fórum de São Paulo. Tanto que a jornalista Tatiana Merlino, sobrinha de Luiz Eduardo Merlino, morto em 1971 após quatro dias de tortura no DOI-CODI comandado por Ustra, falou com insistência nos últimos meses denunciando a inesperada ligação entre o senador e o coronel. ‘É escandaloso o coronel Ustra ter como testemunha o ex-presidente José Sarney’, dizia a manchete de sua entrevista ao site do jornal Causa Operária, no último dia 11.  Apesar da contundência do noticiário, Sarney nunca veio a público para negar essa surpreendente condição, que ele agora diz rejeitar.


5. Sarney alega que esteve com Ustra ‘apenas uma vez’, em agosto de 1985, quando o coronel era adido militar da embaixada em Montevidéu e aguardava no aeroporto de Carrasco o então presidente da República em visita oficial ao Uruguai. Foi quando a ex-deputada Bete Mendes, ex-presa política, denunciou Ustra como seu torturador no DOI-CODI, em 1970. Sarney se apressou em anunciar à torturada que o coronel fora removido naquele mês da embaixada. Não era verdade. O próprio Ustra provou, em seu livro, Rompendo o Silêncio (1987), que o ministro do Exército, general Leônidas Pires Gonçalves, segurou seu emprego no Uruguai até dezembro de 1985, contrariando a palavra do presidente Sarney.


6. Em contato telefônico, a assessoria de Sarney completou sua contestação dizendo que em 1971, quando Merlino morreu sob torturas no DOI-CODI, Sarney ‘nem conhecia, nem sabia quem era Ustra’. Quarenta anos depois, o político de absoluta confiança do regime militar — ao ponto de ser nomeado governador do Maranhão num tempo em que o povo era impedido de votar — não pode alegar que desconhecia o que se passava nos bastidores do poder que ele sustentava politicamente como cacique da Arena. Se não sabia na época, Sarney certamente ficou sabendo depois o que representava a instituição do DOI-CODI e seu chefe mais notório, o coronel Ustra.


7. Sarney garante, agora, que não irá ‘louvar e enaltecer o maior ícone vivo da repressão mais feroz da mais longa ditadura’. Se não fará isso, o que dirá a testemunha de defesa de Ustra? A testemunha citada pelo coronel vai, ao contrário do que ele espera, acusá-lo? Aliás, o que pensa o presidente Sarney a respeito do DOI-CODI e de seu chefe mais ilustre, o coronel Ustra?


8.  O presidente Sarney diz que não é camarada de Ustra e nunca manteve laços de amizade com ele. Então, o que explicaria o pedido de socorro do coronel, invocando a palavra de quem não o conhece, nem lhe tem amizade? Sarney seria a mais nova vítima de Ustra?


9.  Sarney alega que os fatos, agora, mostram que esteve ‘sempre do lado oposto ao dos torturadores’. Que fatos, presidente Sarney? Quem são os torturadores que o senhor conhece ou pode relacionar? O que pensa o presidente Sarney, aliás, sobre a tortura e o aparato repressivo que sustentou a ditadura durante 21 anos? Ou os fatos estão protegidos pelo sigilo eterno que o presidente Sarney e seu sucessor, Fernando Collor, defendem para os documentos oficiais?


10.  A partir desta quarta-feira, 27, começa em São Paulo o julgamento de um militar acusado pela tortura e morte de um preso político. O presidente Sarney, ao vivo ou por precatório, está relacionado pelo réu como seu defensor. Mais cedo ou mais tarde, ele será chamado a falar o que sabe e o que pensa sobre o militar acusado. Até prova em contrário, Sarney e Ustra estão lado a lado nesta causa, uma cumplicidade que estarrece a opinião pública brasileira. Essa não é uma simples ‘imprecisão técnica’. O presidente José Sarney deve à Justiça e ao país uma palavra clara, definitiva, sobre uma dúvida que atravessa a consciência nacional: afinal, de que lado o senhor está, presidente Sarney?


Luiz Cláudio Cunha”

Em tempo: segundo o Estadão, pág. A8, “Ustra usa anistia para ancorar julgamento”.

“Defesa arrola ex-presidente Sarney na lista de testemunhas de coronel que comandou o DOI-Codi”

Que anistia ?

Essa Anistia que o Supremo, com a douta relatoria do Ministro Eros Grau, referendou.

A Anistia que, apesar da luminosa defesa do ex-Ministro Sepúlveda Pertence – clique aqui para ler sobre os planos que ele tem para o filho – foi fragorosamente derrotada na Corte dos Direitos Humanos da OEA.

Essa é a Anistia que ancora Ustra.

E Sarney.


Paulo Henrique Amorim

terça-feira, 26 de julho de 2011

Fábrica da Fiat será oficializada ( Goiana - PE )


Terça-feira, 2 de agosto. Anote na agenda. A data foi escolhida pelo governador de Pernambuco para anunciar a implantação da fábrica da Fiat em Goiana, como antecipou com exclusividade o Diario de Pernambuco. Fontes do governo confirmaram ontem que Eduardo Campos (PSB) reservou a data para fazer “um grande anúncio”. Goiana ofereceu condições ideais para a construção da segunda fábrica da Fiat no país.

A unidade industrial ocupará um terreno de 12 milhões de metros quadrados entre as usinas de São José e Santa Tereza. No local também serão construídos os galpões que fazem parte do plano de desenvolvimento e engenharia dos produtos e do campo de provas da montadora.Na divisa com a cidade pernambucana, os paraibanos também terão motivos de sobra para comemorar o investimento. Serão aproximadamente 60 sistemistas (fábricas dos fornecedores da cadeia produtiva) que vão compor o novo polo automotivo do Nordeste e parte deles em solo da Paraíba.

A Mata Norte nascerá como nova força econômica para Pernambuco. A PPP (Parceria Público Privada) permitirá a construção do centro logístico de Goiana como um dos responsáveis pela multiplicação do segmento automotivo da região encabeçado pela Fiat. Nascerá na região o polo ecologístico que permitirá o surgimento de um porto, de estradas e um aeroporto local A Fiat poderá se comunicar com outros investimentos dos sistemistas que também ficarão ligados ao Litoral Sul através do Arco Metropolitano, PPP que vai gerar uma rota alternativa à congestionada BR-101.

As cartas consultas do BNDES, Sudene e Banco do Nordeste foram aprovadas para liberar os investimentos, que ultrapassam a casa dos R$ 3 bilhões só do caixa da montadora e alcançam o valor total dos R$ 7,17 bilhões. No dia 7 de julho, o Diario revelou que a troca do complexo portuário de Suape pela cidade de Goiana se deu por questões técnicas. Revelamos que a montadora precisava de um platô aproximado de 10 metros (9 metros são suficientes) de profundidade para instalação das prensas e da drenagem dos resíduos gerados pelas máquinas e de mais espaço logístico.

A fábrica ecologicamente correta precisava de mais espaço. O governo, com a mudança da planta, deixou de gastar R$ 200 milhões necessários para preparar a terraplenagem da área de Suape, duas vezes e meia menor (4,4 milhões de metros quadrados) que o terreno de Goiana. O valor economizado será investido na obra da infraestrutura logística e do novo porto de Atapuz, vizinho a praia de Pontas de Pedra.

Fonte: Diário de Pernambuco

sábado, 23 de julho de 2011

Manifestação "#ForaRicardoTeixeira" ganha força no Twitter


A entrevista de Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e do Comitê Organizador Local (COL), à Revista Piauí, na qual o mesmo afirma fazer pouco caso das denúncias que tem recebido utilizando palavras e expressões de baixo calão, gerou uma manifestação no microblog Twitter.

Começou à meia noite de quarta para quinta-feira, no microblog, uma manifestação que pede a saída de Teixeira da presidência da CBF e do COL. Para aderir, o usuário tem de utilizar #foraricardoteixeira. Um site (www.foraricardoteixeira.com.br) foi criado e fez a contagem regressiva para o início da manifestação.

Quase sete mil tweets com a mensagem já foram reproduzidos na ferramenta.

O Brasil sem parar

O Brasil sem parar
Por Delfim Netto, da Carta Capital

A situação da economia brasileira certamente não é a ideal, mas é muito melhor do que supõem os pessimistas de plantão, muitos deles a viver do substancial patrocínio de parte do sistema financeiro.

À semelhança dos primeiros meses do governo Lula, a presidenta Dilma precisou enfrentar as pressões de luminares do mercado financeiro que exigiam a radicalização das políticas fiscal e monetária para não perder o objetivo da meta inflacionária, mesmo que isso levasse a uma redução do crescimento econômico. Ela reagiu a essas pressões, deixando claro que o objetivo principal continuava a ser o crescimento, utilizando-se da comunicação de forma correta e convincente, da mesma forma que o fizeram seus principais auxiliares na área econômica, o presidente do Banco Central e o ministro da Fazenda.

Neste caso, o governo não apenas adotou as medidas prudenciais adequadas como usou os meios de divulgação para convencer os agentes que o alongamento de mais um ano, no objetivo de voltar à meta, dará maior segurança à política de controle da inflação. A importância disso reside no fato de que as expectativas que a sociedade forma em torno das políticas do Estado são fundamentais para se chegar ao resultado perseguido. A tentativa de um endurecimento monetário e fiscal, provavelmente, quebraria a confiança de trabalhadores e empresários no processo de crescimento, os primeiros reduzindo o consumo e os empresários, os investimentos.

Certamente a recusa em embarcar nessa “canoa furada” evitou um desastre de grandes proporções econômicas, gravíssimas tensões sociais e tremendas consequências políticas. Guardadas a devida distância e as diferenças abissais de comportamento dos governos nesses últimos cinco a dez anos “gloriosos” de desregulação (melhor dito, desregramento do capital), basta observar as prévias de violência nas reações de gregos, troianos e outros súditos do euro para entender do que nos livramos.

Infelizmente, o setor onde o governo está curiosamente omisso é na informação pública sobre o andamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), cujas realizações, acredita-se, estariam destinadas a ser uma espécie de locomotiva da comunicação no governo Dilma. Não se trata de promover os investimentos do governo federal (que, enfim, não são tantos ou não se realizam nos prazos anunciados) nas áreas da infraestrutura de transportes ou de energia basicamente. O mínimo de atenção que se deve dar ao contribuinte é mostrar onde estão sendo gastos os seus impostos.

Há centenas de parcerias público-privadas (pequenas, médias e grandes) aonde o dinheiro da arrecadação vai sendo aplicado de forma produtiva e isso é ignorado pelos brasileiros, que, quando tomam conhecimento de alguma obra, é porque houve algum desvio de finalidade, algumas somente apenas tentativas ou a interrupção por causa de erros de programação ou retardo de liberação das verbas. E há os empreendimentos de grande porte que as pessoas gostariam de acompanhar, mas que são solenemente ignorados pelos meios de comunicação.

Denúncia: A resposta do MST que a Globo não publicou


Por que a população não sai às ruas contra a corrupção? O jornal O Globo publicou uma reportagem sobre o tema no domingo. Para fazer a matéria, a emissora entrevistou, entre outros líderes de movimentos, a Coordenação Nacional do MST, mas as respostas dadas não foram aproveitadas. Por que será?

Por Gustavo Belic Cherubine

A seguir, leia as respostas da integrante da Coordenação Nacional do MST, Marina dos Santos, que não saíram em O Globo.
Globo: Por que o Brasil não sai às ruas contra a corrupção?

MSTArrisco uma tentativa de responder essa pergunta ampliando e diversificando o questionamento: por que o Brasil não sai às ruas para as questões políticas que definem os rumos do nosso país? O povo não saiu às ruas para protestar contra as privatizações – privataria – e a corrupção existente no governo FHC. Os casos foram numerosos - tanto é que substituiu-se o Procurador Geral da Republica pela figura do “Engavetador Geral da República”.

Não saiu às ruas quando o governo Lula liberou o plantio de sementes transgênicas, criou facilidades para o comércio de agrotóxicos e deu continuidade a uma política econômica que assegura lucros milionários ao sistema financeiro.

Os que querem que o povo vá as ruas para protestar contra o atual governo federal – ignorando a corrupção que viceja nos ninhos do tucanato - também querem ver o povo nas ruas, praças e campo fazendo política? Estão dispostos a chamar o povo para ir às ruas para exigir Reforma Agrária e Urbana, democratização dos meios de comunicação e a estatização do sistema financeiro?

O povo não é bobo. Não irá às ruas para atender ao chamado de alguns setores das elites porque sabe que a corrupção está entranhada na burguesia brasileira. Basta pedir a apuração e punição dos corruptores do setor privado junto ao estatal para que as vozes que se dizem combater a corrupção diminua, sensivelmente, em quantidade e intensidade.

Globo: Por que não vemos indignação contra a corrupção?

MST: Há indignação sim. Mas essa indignação está, praticamente restrita à esfera individual, pessoal, de cada brasileiro. O poderio dos aparatos ideológicos do sistema e as políticas governamentais de cooptação, perseguição e repressão aos movimentos sociais, intensificadas nos governos neoliberais, fragilizaram os setores organizados da sociedade que tinham a capacidade de aglutinar a canalizar para as mobilizações populares as insatisfações que residem na esfera individual.

Esse cenário mudará. E povo voltará a fazer política nas ruas e, inclusive, para combater todas as práticas de corrupção, seja de que governo for. Quando isso ocorrer, alguns que querem ver o povo nas ruas agora assustados usarão seus azedos blogs para exigir que o povo seja tirado das ruas.

Globo: As multidões vão às ruas pela marcha da maconha, MST, Parada Gay...e por que não contra a corrupção? 

MST: Porque é preciso ter credibilidade junto ao povo para se fazer um chamamento popular. Ter o monopólio da mídia não é suficiente para determinar a vontade e ação do povo. Se fosse assim, os tucanos não perderiam uma eleição, o presidente Hugo Chávez não conseguiria mobilizar a multidão dos pobres em seu país e o governo Lula não terminaria seus dois mandatos com índices superiores a 80% de aprovação popular.

Os conluios de grupos partidários-políticos com a mídia, marcantes na legislação passada de estados importantes - como o de Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul - mostraram-se eficazes para sufocar as denúncias de corrupção naqueles governos. Mas foram ineficazes na tentativa de que o povo não tomasse conhecimento da existência da corrupção. Logo, a credibilidade de ambos, mídia e políticos, ficou abalada.

Globo: A sensação é de impunidade?

MST: Sim, há uma sensação de impunidade. Alguns bancos já foram condenados devolver milhões de reais porque cobraram ilegalmente taxas dos seus usuários. Isso não é uma espécie de roubo? Além da devolução do dinheiro, os responsáveis não deveriam responder criminalmente? Já pensou se a moda pegar: o assaltante é preso já na saída do banco, e tudo resolve coma devolução do dinheiro roubado...

O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, em recente entrevista à Revista Piauí, disse abertamente: “em 2014, posso fazer a maldade que for. A maldade mais elástica, mais impensável, mais maquiavélica. Não dar credencial, proibir acesso, mudar horário de jogo. E sabe o que vai acontecer? Nada. Sabe por quê? Por que eu saio em 2015. E aí, acabou.(...) Só vou ficar preocupado, meu amor, quando sair no Jornal Nacional.”

Nada sintetiza melhor o sentimento de impunidade que sentem as elites brasileiras. Não temem e sentem um profundo desrespeito pelas instituições públicas. Teme apenas o poder de outro grupo privado com o qual mantêm estreitos vínculos, necessários para manter o controle sobre o futebol brasileiro.

São fatos como estes, dos bancos e do presidente da CBF – por coincidência, um dos bancos condenados a devolver o dinheiro dos usuários também financia a CBF - que acabam naturalizando a impunidade junto a população.

Fonte: MST - reproduzido no blog deLuís Nassif

A primavera dos amordaçados


Chego ao Brasil após uma viagem de trabalho ao exterior de duas semanas. Viagem que, agora percebo, ocultou o que estava acontecendo por aqui. Porque não se consegue sentir o pulso de uma nação estando fora dela, apesar da internet. E o que encontro é esse quadro político desalentador para qualquer cidadão sinceramente devotado a lutar para que, um dia, tenhamos uma democracia de verdade neste país.
Diria que a situação é mais do que desalentadora; é alarmante. E a gravidade dela requer medidas graves e corajosas. Alguém tem que fazer alguma coisa para interromper um processo que ameaça causar um grave retrocesso político no Brasil. Está se formando uma armadilha que, se ninguém fizer nada para desarmá-la, tem tudo para devolver o poder a falsos democratas, a gangsters que amealharam fortunas imensas durante a ditadura militar.
Detalhe: refiro-me às famílias Marinho, Mesquita, Frias e Civita, que erigiram Globo, Estadão, Folha e Veja graças a muito dinheiro público que receberam de doação da ditadura militar.
Com recursos espoliados da Nação, essas famílias ricas erigiram um aparato de propaganda política que durante décadas a fio foi capaz de seduzir corações e mentes de parcela majoritária do povo brasileiro de forma a que votasse sempre naqueles que manteriam a desigualdade de renda estarrecedora que persiste há muito, mas que, na última década, diminuiu mais do que em qualquer outro período da história recente.
Em meados da década passada, começou uma reação dessa máquina de propaganda conservadora a processo redistribuidor de renda que apenas iniciava. O governo Lula desencadeou esse processo passando por cima de um aparato político que, então, pairava acima da nação, sendo capaz de exercer pressão quase irresistível sobre a sociedade e sobre os Poderes constituídos – Executivo, Legislativo e Judiciário.
Com seu carisma pessoal, com a caneta do Poder Executivo e com a militância que reuniu em torno de si Luiz Inácio Lula da Silva fez o índice de Gini ter a maior melhora em cinqüenta anos, caindo de 0,58 para 0,50 entre 2003 e 2009 – ainda não se sabe a quanto caiu em 2010.
Para tanto, o governo anterior colocou pobres na universidade – que, antes, era exclusividade dos setores mais abastados da sociedade – como nunca antes na história deste país, tirou dezenas de milhões da miséria e fez do Brasil um player global, retirando-o das sombras em que era mantido por governantes eleitos sob influência dos países ricos.
Como se sabe – vale explicar -, o índice de Gini mede a concentração de renda nos diversos países do mundo. E é disso que se trata, de distribuição de renda. Esse é um processo traumático porque, para dar a muitos, há que tirar de poucos e esses que detêm essa parcela imensa e injusta da riqueza nacional certamente jamais aceitarão perder seus privilégios, até porque têm paixão por sentirem-se “diferenciados” ou “exclusivos”.
Essa mentalidade está nas propagandas para vender produtos aos ricos brasileiros. Cartão de banco, comércio, vivendas, bairros, restaurantes, escolas, tudo o que o dinheiro pode comprar para “diferenciar” uma parcela minúscula da sociedade do seu conjunto. E como tudo isso custa muito caro, a maioria tem que pagar para que a ínfima minoria tenha tais “exclusividades”
Lula conseguiu interromper esse processo criando oportunidades para os mais pobres e, para tanto, valeu-se apenas de sua verve, de seu carisma e da sua coragem quase sobrenatural, ou seja, de elementos de caráter de tal ordem de grandeza que o retiraram da pobreza extrema do Sertão nordestino e o levaram à Presidência da República em poucas décadas,
Esse é o exemplo e é isso o que falta ao país nessa encruzilhada histórica. Todavia, Lula e Pelé, entre outros fenômenos em diversas áreas, são prodígios que talvez este país nunca veja iguais. Por isso, haverá que criar pequenos Lulas, por exemplo. Quem sabe milhares deles em um país de milhões. Um pequeno exército de pessoas capazes de pôr um objetivo na mira e persegui-lo sem titubear e sem mudar de rumo.
Estamos em uma situação grave. A sucessora escolhida por Lula decidiu que conseguirá conviver com o sistema, fazê-lo aceitar o processo redistribuidor em curso. Nesta semana, reuniu-se informalmente com jornalistas de grandes meios de comunicação que vêm fustigando o padrinho político dela e o seu próprio governo, inclusive pedindo que o povo vá às ruas contra esse governo.
Enquanto isso, os veículos dos jornalistas que Dilma tentou amansar tratam de fustigar o partido dela, seu governo e o homem que convenceu os brasileiros a votarem nela. No mesmo dia em que a Folha noticia a entrevista concedida pela presidente, o jornal a acusa de ter permitido a instalação dos corruptos que ela ora demite do Ministério dos Transportes.
Se Lula está ou não de acordo com essa estratégia, ainda vamos saber nos próximos dias. Mas uma coisa é certa: a presidente Dilma Rousseff estancou o enfrentamento da elite conservadora que pretende arrasar o PT e seus aliados nas eleições municipais do ano que vem e retomar o poder para o PSDB em 2014.
Por outro lado, a militância que se formou em torno de Lula durante seu governo de oito anos e que levou Dilma Rousseff ao poder, está se desintegrando. A desmobilização é clara e progressiva inclusive na internet. Muitos se viraram contra o governo Dilma e tal militância passou a brigar entre si, atônita com a perda da liderança de Lula, que tenta ganhar espaço que deixou de ter quando “desencarnou” da Presidência.
Para impedir a venda da idéia de que o governo federal do PT inventou e promove a corrupção no Brasil e que a oposição tucana é a reserva moral e política da nação, que ninguém se iluda: serão necessários atos de coragem e de inteligência extremos. Esses poderes que se agigantam controlam a comunicação de massas no Brasil e não podem ser combatidos com flores.
Televisão, rádio, grandes jornais, revistas e portais de internet que encontravam resistência nesta última, em termos comunicacionais, de repente perderam a oposição. A blogosfera se desarticulou e já chega a repercutir, eventualmente, o grande noticiário moralmente seletivo, obviamente que devido à postura daquela que, pelo cargo que ocupa, é a líder política dos brasileiros e a única com espaço para se fazer ouvir.
Lula denunciava que o moralismo da mídia era seletivo e Dilma não denuncia. E como ele não é mais presidente, a mídia escolhe o que repercutir do que diz, sempre editorializando a abordagem de suas manifestações.
Enquanto isso, a imprensa que puxa os cordões dos tucanos, que se valeu deles e que pretende usá-los como despachantes da elite que concentra renda, trata de acusar o ex-presidente de desvios morais como o de ter obtido vantagens pessoais e para a própria família em um país que teve um presidente tucano que saiu do poder bem mais rico do que entrou e que jamais teve sua vida íntima questionada pela mídia.
A única saída é provar que a mídia é moralmente seletiva, ou seja, que só fiscaliza e denuncia a corrupção (verdadeira e forjada) de um lado, o do PT, e que esconde a corrupção da oposição onde ela governa, sobretudo nos Estados que se tornaram as cidadelas do PSDB, São Paulo e Minas Gerais, onde imperam os “golden boys” da direita brasileira, Fernando Henrique Cardoso, José Serra e Aécio Neves.
Este cidadão decidiu fazer a sua parte e engendrou um meio de mostrar à sociedade que sua imprensa moralista é, na verdade, um antro que acusa políticos realmente corruptos e outros sérios, mas só de um lado, enquanto acoberta roubalheiras muito piores de governos tucanos como o de São Paulo, Estado que tem cofres públicos muito mais cheios do que os de muitos países.
Como já foi dito, porém, será necessário um ato ousado e desesperado. É um ato que pode até custar caro a quem o empreender, mas que pode fazer a sociedade ouvir uma simples pergunta: “Por que a mídia só critica a corrupção em governos do PT e de seus aliados e não faz o mesmo com a corrupção do PSDB e dos aliados dele?”.
Fazer o Brasil se perguntar isso é o grande desafio da esquerda. Mas como fazer se os meios de comunicação de massa não permitem e a militância que se formou para sustentar o governo anterior está desmantelada, desmotivada e se desintegrando?
Este blogueiro e cidadão vem comunicar que descobriu um jeito. Alguém terá que se sacrificar, mas tem um jeito. Esse sacrifício pode fazer a militância despertar.
Diante disso, faz-se, aqui, um ultimato: ou a mídia trata os políticos de todos os partidos da mesma forma ou alguém irá se sacrificar e desencadear um processo que fará o país se perguntar por que ela protege o PSDB enquanto ataca o PT, e que interesse ela pode ter para colocar os conservadores de volta no poder. O que pretende ganhar com isso ou o que pode ganhar com isso.
Quem acha que isto é um blefe pode pagar para ver – e, particularmente, julgo que irão pagar. Julgo firmemente que ninguém acreditará em que é possível que uma iniciativa isolada possa fazer o país se questionar sobre o moralismo seletivo das famílias Marinho, Frias, Mesquita e Civita. Então fiquem atentos, companheiros, porque setembro está chegando e trará a primavera aos amordaçados.