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quarta-feira, 30 de março de 2011

Moniz Bandeira: EUA e aliados querem legitimar doutrina da intervenção humanitária

por Marco Aurélio Weissheimer, em Carta Maior
As razões pelas quais Estados Unidos, França e Inglaterra dediciram liderar uma ação militar na Líbia contra o regime de Muammar Kadafi ainda não estão muito claras. Os limites desta ação determinados pela resolução aprovada no Conselho de Segurança das Nações Unidas falavam da instalação de uma “zona de exclusão aérea” com o objetivo de proteger a população civil dos ataques dos aviões de Kadafi. Mas esses limites já foram extrapolados, com ataques no solo a tanques e tropas leais ao governo líbio. O que, afinal, está por trás desta ação?
Em entrevista à Carta Maior, concedida por correio eletrônico, o historiador e cientista político Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira analisa as revoltas populares que estão acontecendo no Oriente Médio e no norte da África. Sobre o conflito líbio, Moniz Bandeira reconhece que as razões da posição de EUA, França e Inglaterra não estão muito claras e podem estar relacionadas a questões internas destes países e também à vontade de legitimar a doutrina da intervenção humanitária.
“Os objetivos não estão claros. A guerra foi praticamente iniciada pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy. Supõe-se que ele deseja evitar que uma guerra civil na Líbia provoque um grande fluxo de refugiados para o sul da França. Mas há outras hipóteses. Tanto na França como nos Estados Unidos, cujos presidentes estão muito desgastados, bem como na Inglaterra, motivos eleitorais provavelmente influíram na decisão de deflagrar a guerra. O petróleo, aparentemente, não foi um fator decisivo”, avalia.
Cientista político e professor titular de história da política exterior do Brasil na UnB (aposentado), Moniz Bandeira é autor de mais de 20 obras, entre as quais “Formação do Império Americano”, que lhe valeu a escolha de Intelectual do Ano 2005, pela União Brasileira de Escritores, e o Troféu Juca Pato. Em abril deve estar nas livrarias a 3ª edição de seu livro “Brasil-Estados Unidos: a rivalidade emergente”, prefaciado pelo embaixador Samuel Pinheiro Guimarães.
Carta Maior: Na sua avaliação, quais são as principais causas das revoltas que estamos assistindo hoje no Oriente Médio e norte da África?
Moniz Bandeira: É difícil apontar os principais fatores que determinaram e determinam a eclosão das revoltas nos países árabes. São diversos e complexos. E tudo indica que são autóctones, não obstante o fenômeno do contágio. O sucesso do levante na Tunísia estimulou o alçamento no Egito e daí se alastrou, conforme as condições domésticas de cada um dos países da região. Há, decerto, diferenças históricas, sociais e políticas entre os dois países. Suas estruturas de Estados e instituições são diferentes. Ao contrário da Tunísia, o Egito é o mais populoso país árabe e o mais importante, do ângulo geopolítico e geoestratégico, no Oriente Médio. Entretanto, nos dois países, há uma juventude, com certo nível de educação e saúde que não encontra emprego ou ocupação adequada à sua capacitação.
A Tunísia tem uma população de cerca de 10,4 milhões de habitantes, altamente alfabetizada e urbanizada e apenas 3,8% vivem abaixo do nível de pobreza. Porém, com uma força de trabalho de quase 4 milhões de pessoas, o nível de desemprego, da ordem de 14%, é muito elevado. O Egito, por sua vez, tem uma população de 76,5 milhões de habitantes, dos quais cerca de 20% a 25% vivem abaixo do nível de pobreza. Sua força de trabalho soma 26,1 milhões, mas o índice de desemprego, da ordem de 9.7%, é bastante elevado. Apesar de haver crescido 5% nos últimos anos, sua economia não conseguiu criar empregos conforme as necessidades da população. A juventude está seriamente afetada pelo desemprego. Cerca de 90% dos desempregados são jovens com menos de 30 anos. Os graduados têm de esperar pelo menos cinco anos por uma oportunidade de trabalho na administração. E as políticas neoliberais executadas pelo ditador Hosni Mubarak agravaram as desigualdades e o empobrecimento de milhões de famílias.
As oportunidades de trabalho, desde há muitas décadas, crescem muito menos do que a taxa de crescimento da população. Entrementes, no campo, há algumas regiões com excesso de força de trabalho, e outras com carência. E os regimes tanto na Tunísia quanto no Egito estavam politicamente estagnados, sob as ditaduras corruptas e brutais de Zine el-Abidine Ben Ali e de Hosni Mubarak. Esse fato, em meio ao desemprego, extrema pobreza, inflação, alta dos preços dos alimentos e o ressentimento político provocado pela sistemática repressão, foi aparentemente fundamental na deflagração das revoltas, que, sem dúvidas, seitas islâmicas fundamentalistas, como a Irmandade Muçulmana no Egito, e interesses estrangeiros trataram e tratam de aproveitar.

A denúncia dos marajás da Vale




Posto aí em cima o vídeo da fala que proferi, agora há pouco no plenário da Câmara, tornando pública a vergonha que, a partir da informação de Paulo Henrique Amorim, tive a sorte de encontrar documentada: a Vale paga salários de R$ 1 milhão por mês – isso mesmo, R$ 1 milhão – a seus executivos e, como isso é uma média, certamente o sr. Roger Agnelli embola bem mais que isso, para adotar uma política de sangria desatada de exportação de minérios que pertencem ao povo, não investir em siderurgia e encomendar lá na China os navios que vão transportar, mundo afora, nosso ferro.
Onde está a mídia moralista, que faz escândalos – e alguns justos – quando uma empresa estatal tem salários mais elevados e não vê estes, 30, 40, 50, cem vezes maiores?
Quem vai escrever colunas sobre os marajás de Carajás?

A representação contra Bolsonaro



Acabamos de assinar – eu, os deputados Jean Willys, Manoela Pinho, Chico Alencar, Ivan Valente, Edson Santos, Perpétua Almeida, Erica Kokay,Emiliano José, Jandira Feghalli, Fernando Ferro, Domingos Dutra e outros que, confesso, me fogem aqui à lembrança – três representações contra o deputado Jair Bolsonaro, pelas ofensas de cunho racista que dirigiu à cantora e apresentadora Preta Gil e sua família no programa CQC, da Band.
Representamos ao Conselho Nacional de Defesa da Pessoa Humana, à Procuradoria Geral da República – afinal, racismo não é crime? – e, no âmbito do Parlamento, ao Presidente Marco Maia, para que determine a competente investigação pela Corregedoria da Câmara.
Transcrevo o texto desta representação:
A SUA EXCELÊNCIA O SENHOR
DEPUTADO MARCO MAIA
PRESIDENTE DA CÂMARA DOS DEPUTADOS
Os parlamentares infra-assinados vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência representar contra o deputado JAIR BOLSONARO pelas razões de fato e de direito na seguinte:
REPRESENTAÇÃO
DOS FATOS
Na noite de 28 de março de 2011 foi ao ar o programa da TV Bandeirantes entitulado CQC – Custe o Que Custar, no qual foi veiculada uma entrevista com o Deputado Jair Bolsonaro no quadro do CQC denominado “O povo quer saber”.  No decorrer da entrevista, o referido parlamentar, ao ser indagado pela artista e promotora Preta Gil “se seu filho se apaixonasse por uma negra, o que você faria?” Eis a resposta literal do entrevistado: “ô Preta, eu não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja, eu não corro esse risco porque meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o seu” (!).

Esta resposta caracterizada por evidente cunho racista culminava uma série de afirmações em desapreço a diversos grupos sociais e em apologia a graves violações de direitos humanos, no decorrer de toda a referida entrevista.

Na realidade tem sido recorrentes as manifestações de cunho racista proferidas pelo Sr. Jair Bolsonaro nesta Casa e fora dela, contra diversos grupos sociais e organizações defensoras de direitos humanos, dentre as quais a própria Comissão de Direitos Humanos e Minorias, da qual ele é membro suplente por designação do partido a que é filiado, o PP.
DO DIREITO
A difusão de conteúdos ideológicos por meio da mídia eletrônica é de conhecido poder de multiplicação, principalmente quando se trata de programa que conta com significativa audiência, como o CQC.  O Sr. Jair Bolsonaro ao utilizar-se de um espaço midiático para propagar atos que configuram crimes, extrapola a liberdade de expressão para ofender a dignidade, a autoestima e a imagem não só da pessoa que fez a pergunta naquele momento, mas de toda a sociedade, uma vez que os direitos e princípios constitucionais ofendidos pertencem à toda a sociedade.

A face rude, cruel e mesquinha do PIG


Há momentos em que a dor deve se colocar a serviço da virtude. Combater os atos mesquinhos e desumanos, muitas vezes tem que ser feito assim. Há, pois, que recordar o último ataque vil que o gigante José Alencar sofreu, entre 22 de julho e 30 de agosto de 2010, da parte de gente que, em seus delírios de poder, não hesitou em fustigar um homem no mais difícil momento de sua vida, quando travava seus últimos combates.
O Brasil vivia a campanha eleitoral mais suja de sua história recente quando a Globo atiçou um de seus soldados mais truculentos contra alguém que teve que suportar insultos e sucessivas humilhações em meio àquela loucura que se apossou daqueles que, mais uma vez, viam esvair por entre seus dedos a chance de voltarem ao poder através do despachante que escalaram para lhes representar os interesses.
Um blogueiro da Globo, em menos de um mês, disparou verdadeira saraivada de posts nos quais, no momento de maior empenho por demonstrar aos patrões do que é capaz de fazer sob suas ordens, chegou a qualificar esse homem que tanta saudade deixará como sendo alguém “rude, cruel e mesquinho”, adjetivos que, agora, fica fácil demonstrar que se aplicam muito mais ao pistoleiro da família Marinho.
Não reproduzirei os ataques, mas, se alguém tiver dúvida de sua natureza ou mórbida curiosidade, pode encontrá-los aqui,  aqui,  aqui,  aqui,  aqui,  aqui e, principalmente,  aqui.
Fonte: Cidadania

Vinte parlamentares do PT, PCdoB, PSol e PDT protocolam representação contra Bolsonaro


Mais cedo pelo twitter @deputadamanuela me informou uma série de deputados que honram seus mandados e defendem a cidadania e os direitos humanos, listei alguns deles no twitter:
Denúncias contra Bolsonaro foram feitas pela CDH mais 20 deputados: @deputadamanuela @brizola_neto@jean_willys, Jandira, Perpétua (1)
@maria_fro
Conceição Oliveira
Chico Alencar, Luiza Erundina, Ivan Valente, Edson Santos, Chico Alencar, Erika Cocai, Emiliano José, Domingos Dutra, (2)
@maria_fro
Conceição Oliveira
mais Marina Sant'Anna, Luiz Alberto, Padre Luiz Couto (representação contr Bolsonaro) (3)
@maria_fro
Conceição Oliveira
Leia também:

Por Rogério Tomaz Jr, Liderança PT na Câmara
29/03/2011
repre bolsonaro_D1
Cerca de vinte parlamentares, de quatro partidos – PT, PCdoB, PSol e PDT – assinaram uma representação contra o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), acusado de manifestar declaração racista em entrevista ao programa CQC exibido na noite de segunda-feira (28). Coordenada pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, a representação foi protocolada hoje na Presidência e na Corregedoria da Casa.

terça-feira, 29 de março de 2011

Dilma e Lula comentam a importância de José Alencar

O adeus ao companheiro Zé Alencar


Lula e Alencar, quando assumiram o governo.

A presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula darão uma declaração conjunta sobre a morte do ex-vice-presidente José Alencar, em Coimbra, Portugal, onde os dois estão em viagem.

Alencar morreu às 14h41 de hoje. Ele estava internado no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, e lutava contra um câncer.

"Vocês não podem ter a noção da importância dele para o presidente Lula. Nossa gratidão a ele é eterna."

O Secretário-Geral da Presidência, ministro Gilberto Carvalho, lamentou nesta terça-feira (29) a morte do ex-vice-presidente José Alencar.

- O Alencar está no nosso coração e no coração de todos os brasileiros. À família, o nosso abraço mais fraterno, que ele continue a nos acompanhar e acompanhar o nosso povo.

Carvalho concedia uma entrevista sobre condições de trabalho nas obras do PAC quando foi informado por jornalistas sobre a morte de Alencar. Emocionado, o secretário-geral – que foi chefe de gabinete do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante oito anos, tendo contato direto com Alencar –, destacou a importância do ex-vice.

- Vocês não podem ter a noção da importância dele para o presidente Lula. Nossa gratidão a ele é eterna.

Carvalho foi questionado se Lula e a presidente Dilma Rousseff, que estão em viagem a Portugal, retornariam ao Brasil, mas emocionado, não teve condições de responder.


Fonte: Amigos do Presidente Lula

“Todo mundo era bom depois de morrer. Alencar era bom em vida”, chorou Lula




Extraído do blog Os Amigos do Presidente Lula:


Foi em prantos que a presidenta Dilma e Lula falaram da morte de José Alencar, pouco depois de serem informados pelo médico do ex-vice-presidente.


“Todo mundo era bom depois de morrer. Alencar era bom em vida”, chorou Lula.


A visita de ambos a Portugal foi encurtada. Lula dedicará a Alencar o título de doutor honoris causa na Universidade de Coimbra, na manhã de quarta-feira, e ambos voltam ao Brasil em seguida. A presidenta cancelou a agenda oficial em Portugal que deveria ocorrer na quarta-feira à tarde.


A presidenta informou que a família de Alencar aceitou que o corpo seja velado no Palácio do Planalto. O governo decretará luto oficial de sete dias. (com informações do Valor)



José Alencar a PHA:  Não tenho medo da morte, mas da desonra



O problema é saber quem é o Pelé

Em homenagem ao grande brasileiro José Alencar, o Conversa Afiada republica post de 29 de março de 2010:


José Alencar a PHA: Não tenho medo da morte, mas da desonra


29/março/2010 17:26