Uma vez me contaram que um comentarista esportivo, ao falar aos 40 minutos do segundo tempo de um jogo que ia empatado em zero a zero, para mostrar que era sabido, saiu-se com a frase: “olha, se nenhum dos times fizer um gol, eu acho que o resultado do jogo vai ser empate”.Lembrei disso lendo o artigo dos diretores do Datafolha, Marcos Paulino e Alessandro Janoni, na página 12 da Folha de hoje. Se eu achar na internet faço o link aqui.
Olhem só que pérola:
“Agora, ao se observar as pesquisas realizadas pelo Datafolha em 2010, nota-se que, dos seis pontos obtidos pela candidata petista desde fevereiro, pelo menos metade deve-se à recente percepção, por esses eleitores, de que Lula a apoia.”
Caro leitor: se você fizesse uma pesquisa entre os que declaram apoiar um candidato apoiado por Lula e metade deles dissessem que não vão votar em Dilma, é natural que você, como eu, que não somos os iluminados estatísticos e editores da Folha publicaríamos um título ou um comentário assim: Metade dos que querem apoiar candidato de Lula não votam em Dilma. Ou então: Dilma só consegue metade dos votos dos que querem “candidato do Lula”. Provavelmente, em ambos, colocaríamos a palavra “ainda”, porque até as pedras da calçada sabem que a desinformação é o maior problema para essa transferência de votos.
Mas se eu ou você detectássemos que Dilma cresce o dobro do que está sendo transferido por Lula não iríamos destacar esta informação? Isso não é significativo para uma candidata que é pontada por todos os

grandes comentarista da imprensa como um “desastre” de marketing?
E olhem no gráfico ao lado, publicado junto a esta fabulosa análise, a informação que não merece sequer um pequeno comentário: o número dos que dizem que votariam no candidato apoiado por Lula sobe cinco pontos e chega a 44%. Quase o suficiente para vencer no primeiro turno, bastando que um terço dos 22% que responderam “talvez” sigam a indicação do presidente. Isso não é relevante, para os ilustres estatísticos
Sabem qual é o problema destas análises do Datafolha? É que precisam arranjar tantas explicações para o inexplicável que acabamos naquele ditado popular: “o diabo tanto lidou para endireitar o nariz do filho que ele saiu torto”.
Fonte: Tijolaço


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