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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Discurso da presidenta Dilma na Argentina

Lula é o político mais atacado pela mídia desde 1989


Você, estudante de jornalismo, de comunicação social, de ciências sociais, enfim, de tantas áreas afeitas ao estudo ou à prática da comunicação de massa, se estiver terminando seu curso universitário e tiver um trabalho de conclusão a apresentar, tem agora uma oportunidade imperdível de fazer o estudo mais eloqüente já feito sobre comunicação.
É tão evidentemente necessário, o estudo que irei propor, que não sei como não foi feito antes – e duvido de que tenha sido feito, ao menos da forma como será apresentado. Entretanto, se alguém tiver notícia sobre algum estudo correlato, que, por favor, informe aqui, via comentário.
No último domingo, discorri sobre os programas humorísticos da Globo e sobre o uso desses programas para atacar alguns políticos em benefício de outros, transformando uma concessão pública de televisão em arma político-partidária – o que a lei veda, mas não coíbe em razão do poder político de impérios de comunicação como uma Globo.

Revistonas temem a revolução do Egito?

Por Altamiro Borges

O blogueiro Francisco Bicudo chamou a atenção para um fato curioso nas capas das revistonas desta semana. Nenhuma delas deu manchete para as explosões populares que abalam as ditaduras pró-EUA no mundo árabe. “Quem aguardava análises e relatos de fôlego sobre Tunísia, Egito e afins deu com os burros n'água”.

As capas da Veja, Época e IstoÉ

A Veja, que mais se parece como uma sucursal rastaqüera do império, deu na capa o “bom-mocismo” de Luciano Huck e Angélica. É certo que o ator global foi um dos principais cabos eleitorais do demotucano José Serra e que vem sofrendo inúmeras críticas na sociedade – por crimes ambientais e outros. Mas é evidente que este assunto, tipicamente plantado, não tem maior relevância do que a explosão social no Egito.

Já a revista Época, da Editora Globo – que mantém fortes ligações com os EUA desde o sinistro acordo com a Time-Life –, trouxe na capa outro tema momentoso: “O guia essencial dos imóveis”. E a IstoÉ destacou “O novo astro da fé”, sobre o ex-lavrador que comanda a igreja evangélica que mais cresce no país. Apenas a revista CartaCapital, única que faz um jornalismo mais crítico, trouxe na manchete "A convulsão árabe".

As suspeitas razões editoriais

O que explica a opção editorial destas três revistonas? Não dá para dizer que foi falta de tempo para um trabalho jornalístico mais acurado. Afinal, as explosões de revolta nesta região estratégica já ocorrem há duas semanas – tendo resultado na derrubada do presidente da Tunísia e em mega-protestos no Egito.

ElBaradei pede saída imediata de Mubarak e fala em 'novo início' para Egito

O que foi obtido não pode
ser revertido",afirmou líder da oposição
Em discurso feito na praça Tahrir, localizada no centro do Cairo, o líder da oposição e prêmio Nobel da Paz Mohammed ElBaradei pediu neste domingo que o presidente do Egito, Hosni Mubarak, deixe o poder imediatamente.

ElBaradei foi ao local participar do sexto dia de manifestações contrárias ao governo egípcio. Portando um megafone, ele se dirigiu à multidão afirmando que "o que foi obtido (com os protestos) não pode ser revertido".

O líder opositor disse esperar que a saída do atual presidente represente um "novo início" para o Egito.

"Eu me curvo ao povo do Egito em respeito. Eu peço a vocês paciência, a mudança está chegando nos proximos dias", disse.

O clima de tensão no Egito aumentou neste domingo, tanto no Cairo quanto em outras cidades, como Alexandria. Jatos da Força Aérea sobrevoaram a praça Tahrir, principal ponto de concentração dos manifestantes.

A multidão reunida na praça Tahrir chegou a bloquear a passagem de uma coluna de tanques do exército que foi ao local para conter as manifestações. Já o toque de recolher voltou a ser desafiado pelos integrantes dos protestos.

Os choques entre manifestantes e forças de segurança já teriam deixado cerca de cem mortos desde o início dos protestos na terça-feira. Cerca de 2 mil pessoas ficaram feridas nos choques ocorridos no Cairo, Suez e Alexandria.

Uruguai intimará ex-militares por violações aos direitos humanos

A justiça uruguaia citará judicialmente em fevereiro próximo, 17 ex-oficiais das Forças Armadas por causas referidas a violações dos direitos humanos durante a ditadura (1973-1985), revelou nesta semana a imprensa local. Existe a possibilidade de que outros 150 militares recebam intimações nas próximas semanas.

O início da investigação por torturas a ex-presos políticos obedece a uma denúncia feita no final de 2010, apresentada por 12 ex-detidos da base aérea de Boiso Lança, atual sede da Força Aérea.

A juíza Mariana Mota citará os ex-oficiais que serão indagados por suposta responsabilidade em casos de homicídios e desaparecimentos que se pesquisam, concatenadas com a causa contra o ex-ditador Juan María Bordaberry, indicaram as fontes.

O presidente do Uruguai, José Mujica, sustentou que seu Governo atuará no marco do estabelecido na ordem e a justiça nos casos de direitos humanos.

Ameaça de militares

Nicolelis com blogueiros em Natal: “Eu juro que eu sou eu”


Em encontro com blogueiros potiguares, Nicolelis fala sobre ciência, democracia, política e jornalismo
por Alisson Almeida, do Embolando palavras
O movimento dos Blogueiros Progressistas do Rio Grande do Norte recebeu, na noite desta sexta-feira (28), o neurocientista Miguel Nicolelis, professor da Universidade de Duke (EUA) e co-fundador do Instituto Internacional de Neurociência de Natal Edmond e Lilly Safra. O evento, realizado no auditório da Livraria Siciliano (Shopping Midway Mall), serviu como preparação para o 1º Encontro de Blogueiros Progressistas do RN, marcado para os dias 25, 26 e 27 de março.
O tema do bate-papo foi “Redes sociais, participação política e desenvolvimento da ciência”. Nicolelis iniciou dizendo que sua participação no evento demonstrava o poder dessas novas formas de comunicação. “Estou no Twitter há apenas 15 dias, mas já estou aqui para falar sobre redes sociais – mesmo sem saber nada sobre isso”, brincou, arrancando risos da plateia.
Em seguida, disse que o título da palestra poderia ser “Eu juro que eu sou eu”, fazendo referência ao debate travado com uma badalada blogueira potiguar, a quem teve que provar que seu recém-criado perfil no Twitter não era um fake.

Mubarak jamais cairá porque tem o apoio dos homens bons


mubarak sfihas
Cada vez mais firme no cargo, o grande presidente do Egito, Hosni Mubarak, jamais cairá pois tem o apoio dos homens bons de todo o mundo, o que consolida sua posição frente a gentalha insubmissa e ouriçada pelos agentes comunistas internacionais. As falsas notícias da mídia marxista internacional não nos engana pois sabemos que o presidente egípcio tem todo o controle da situação e logo levará os revoltosos aos tribunais para que sejam todos condenados e executados por alta traição. A vitória será nossa, como sempre.
Amigos
Até o moreninho do norte, mesmo sendo socialista, reconhece que Mubarak é superior e somente ele deve governar o Egito por ser descendente de uma linhagem de faraós
Podemos ficar tranquilos pois o governo do Egito continuará em boas mãos, uma vez que Mubarak tem saúde ainda para governar aquele nomoi por muitos anos em nome dos interesses dos países importantes. Alvíssaras!
Tranquilidade
Falei pessoalmente com Mubarak e ele me tranquilizou a respeito da situação na terra dos faraós
Meu amigo pessoal desde os tempos em que eu lecionava em Cambridge, Hosni me passou tranquilidade e segurança na breve conversa que tive com ele hoje de manhã pelo telefone. Ele me disse que apenas uns gatos pingados arruaceiros estão causando tumulto nas ruas do Cairo e que as tvs internacionais estão editando as imagens para que a situação pareça pior do que realmente é. Ouvindo a verdade pude deixar esse assunto banal de lado e mui respeitosamente solicitar que o presidente me enviasse mais umas fazendas do legítimo algodão egípcio 400 fios para que meu alfaiate particular faça as minhas camisas de usar em casa.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Brasil e Argentina têm responsabilidade para que a América Latina amplie presença e ação no cenário internacional







A presidenta Dilma Rousseff durante entrevista a jornalistas de três periódicos da Argentina. Fotos: Roberto Stuckert Filho/PR
















A importância de reforçar a parceria entre Brasil e Argentina e, deste modo, sinalizar aos demais países da América Latina que é possível ter mais presença e ação no cenário internacional levou a presidenta Dilma Rousseff a decidir que a primeira viagem internacional fosse para a Argentina. Essa explicação foi colocada em entrevista aos jornalistas dos três importantes jornais daquele país:La NacionClarínPágina 12. Além disso, a presidenta Dilma assegurou que terá uma “relação extremamente próxima” com a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner:
“O Brasil e a Argentina podem fazer isso, e podem fazê-lo de forma mais efetiva quanto mais próximas nossas economias se articulam e se desenvolvam e criem laços em que ambos os povos ganhem com essa aproximação, em matéria de desenvolvimento econômico, de desenvolvimento tecnológico, de melhoria das condições de vida do povo brasileiro e argentino.”


















A seguir os principais trechos da entrevista concedida pela presidenta Dilma Rousseff aos jornais argentinos La Nacion, Clarín e Página 12.
A importância da mulher na quebra de preconceitos
“Olha, eu acho uma coisa a ser comemorada, porque eu acho que os dois maiores países aqui, do Cone Sul, estão dando uma demonstração que as suas sociedades evoluíram no sentido de superarem o tradicional preconceito que existia contra a mulher. Veja que são sociedades que têm essa evolução no Sul, no Sul do mundo. E, para mim, é algo bastante significativo que também aqui nós tenhamos esse exemplo, que foi a eleição de um índio, na Bolívia, e de um metalúrgico antes mim aqui, no Brasil. Então, eu acredito que a América Latina, ela está dando um exemplo para o mundo de que certos preconceitos, certos bloqueios econômicos e sociais estão sendo superados. Eu acho que representa uma maior democratização das nossas sociedades e dos nossos países. E acredito que a presença da mulher aqui vai significar também a possibilidade de que em outros países da América Latina, como nós já tivemos, no Chile, a presidenta Bachelet, nós tenhamos também outros países em que a mulher seja eleita.”

Neschling confirma que Cerra o demitiu por causa do mictório

O mictório foi o campo de batalha da OSESP
Amiga navegante, amante da boa música, telefona para comunicar que John Neschling deu uma entrevista à revista IstoÉ (pág. 8 ) em que confirma informação há muito divulgada por este ansioso blog.

Cerra demitiu Neschling por causa de um mictório.

Vários amigos navegantes duvidavam que o Cerra, mesmo sendo o nosso Putin, fosse capaz de tal mesquinharia.

Vem agora a confirmação histórica.

Cerra se elegeu prefeito e disse ao Boris Casoy que jamais renunciaria ao cargo.

Clique aqui para ler sobre a derrota de Casoy na Justiça.

aqui para ver o vídeo histórico: Cumprirei o mandato de prefeito até o fim. Se não, não votem mais em mim.

O prefeito mandou o Neschling e a OSESP se apresentarem numa Virada Cultural.

Neschling mandou perguntar se tinha mictório para atender os músicos (quase cem).

Não recebeu resposta e não foi.

Humor: Dicas e cursos para um bom jornalismo manipulativo


O Limpinho reproduz matéria hilária publicada no blog do Curso Básico de Jornalismo Mani-pulativo.

Para nossos alunos, dicas, lições, avisos de cursos e outras informações necessárias para a formação de um bom manipulador da opinião pública.

Os não-alunos terão somente o prazer superficial da leitura, mas os alunos captarão a sabedoria profunda das frases e perceberão os aspectos fundamentais da atuação de nossos principais representantes na grande mídia.

Minilições
– Se você é ruim em ênfases, faça como Reinaldo Azevedo: USE MAIÚSCULAS E EXCLAMAÇÕES!!!!

– O golpe do grampo sem áudio já caducou. Ele é mais ultrapassado que o bigode do Merval Pereira.

– O Twitter é nosso aliado: um falso escândalo se espalha rápido. Já criou seu falso escândalo hoje?

– Controle sua expressão facial na TV. Só William Waack tem direito de fazer cara de nojo ou derrotado.

– Jamais rasteje ante alguém de “nosso lado”. Só William Bonner tem direito de pedir “perdão, candidato”.

– Use qualquer argumento para contestar o “outro lado”. Não exigimos coerência, mas eficiência na luta.

– Estratégia em andamento: inviabilizar o Imbatível em 2014 (o Inominável). Depois cuidaremos de sua cria.

– Jamais elogie Dilma, a não ser para depreciar o Inominável. Tampe o nariz, faça o contraste e vá em frente.

– Fotos servem para ilustrar nosso aliado e deslustrar nosso adversário.

– Vá devagar com nossos especialistas: a coisa está tão feia que tivemos de fazer do Demétrio Magnoli um astro.

– Aprenda: só FHC pode defender a legalização da maconha sem ser acusado de parceiro do narcotráfico.

– Aprenda: liberdade de imprensa existe para a imprensa censurar a divulgação de notícias favoráveis ao “outro lado”.

A cruzada da mídia contra o Brasil


Reproduzo artigo de José Dirceu, publicado em seu blog:

Uma ampla e articulada campanha - espontânea não é - que se consolida na mídia quer que o Brasil corte gastos sociais, reduza salários, controle seu crescimento econômico e o aumento do emprego, da renda, e da demanda agregada. Querem sangue. Parece não estarem vendo o que está acontecendo no mundo.

Verdadeira cruzada contra o país, esta campanha agora ganha destaque internacional com as afirmações contidas em um relatório com cheiro de mofo do FMI. Isso mesmo, relatório evidentemente cantado em prosa e verso pelo Jornal Nacional e por toda a mídia conservadora e de oposição.

O argumento é o de sempre: há um choque de demanda sem a correspondente oferta, o que produz inflação. Para eles, estamos perigosamente atingindo o pleno emprego, há escassez de trabalhadores qualificados e nossa economia não consegue atender a demanda que cresce. Por isso, ameaçam-nos com o fantasma da inflação e do estrangulamento externo.

Tudo culpa do governo...

Comunicação no Brasil é mesmo uma Zorra Total


Zorra, substantivo feminino que significa barulho, ruído, confusão. Diz-se de qualquer organização malfeita, preferencialmente. Esta casa está uma zorra, a festa foi uma zorra, este departamento é uma zorra, diz-se de uma residência mal-arrumada, de uma festa barulhenta e incômoda ou de um setor de trabalho mal-organizado.
Não há melhor definição para o que é – ou como está – a comunicação no Brasil. Sobretudo no que diz respeito a concessões públicas de rádio e tevê, de propriedade de todos nós e que, portanto, não podem ser usadas para atender a grupos políticos, ainda que possam ser exploradas comercialmente.
Não se pode questionar, nem em pensamento, a premissa imperativa de que criações artísticas e culturais – e, em princípio, por pior que seja, toda criação de entretenimento assim deve ser considerada –, desde que não atentem contra ditames legais elementares relativos a direitos e garantias individuais e coletivos, sejam totalmente livres de censura.
Já o humor político, este é tão antigo quanto a civilização. O processo civilizatório da humanidade, porém, fez com que seja considerado imperativo, quando se faz humor com políticos usando meios que pertencem a cidadãos de todas as colorações políticas e ideológicas, que nenhuma dessas correntes seja poupada.
Não haveria mal em um programa humorístico com um quadro fazendo piada sobre o ex-presidente Lula se os autores do programa tomassem o cuidado de fazer o mesmo com José Serra, por exemplo, de forma a não usarem uma concessão pública para ridicularizar um político e poupar seus adversários, beneficiando-os por tabela.
A Globo, porém, não esconde a usurpação que fez de um meio público de comunicação, transformando-o em arma de luta política de partidos com os quais mantém uma aliança tácita, segundo sugerem fatos como o uso de programas humorísticos com viés partidário, atacando os adversários daqueles partidos.

Anastasia começa mal seu governo em Minas

Anastasia começa mal seu governo: lei delegada, mais de 1.300 novos cargos comissionados e descaso com as vitimas das chuvas

O governador Anastasia assinou na última semana a Lei delegada 182 que determina a criação de 1.314 cargos comissionados no Estado. Isso significa um impacto anual na folha de R$ 54 milhões, segundo informou a própria secretária de Planejamento do Estado, Renata Vilhena. Essa é uma das quatro leis delegadas já editadas pelo governador. Mais uma vez, os tucanos no poder em Minas Gerais se utilizam do resquício do regime militar chamado de Lei Delegada para governar do jeito que sabem: muito poder e dinheiro concentrado nas mãos do governo, imprensa calada e a sociedade muda.
A Lei Delegada é enviada pelo governador à Assembleia Legislativa de forma que, se aprovada, os deputados estaduais abrem mão da sua função de fazer e editar leis para que ele crie leis sem ser impedido. Assim, do alto da sua prática antidemocrática, Anastasia pode promulgar e editar leis como bem quiser. Mas essa não é uma atitude isolada do governador, esse é o modo tucano de agir em Minas Gerais. O ex-governador Aécio Neves em seus dois mandatos implementou a Lei Delegada e editou mais de 130 leis, governando como bem quis.

MÍDIA E CORRUPÇÃO

Por Roni Chira, do blog O que será que me dá

Corromper ou subornar são verbos tão antigos como a própria história da humanidade. No Brasil, vão desde aquela singela cervejinha para o guarda de trânsito – mais conhecida como o “jeitinho brasileiro” – até o que Chico Buarque expressou genialmente em “Vai Passar”:

Dormia a nossa Pátria mãe
tão distraída
Sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações

Os mecanismos de “subtração” aos quais Chico se referia florescem muito mais onde não há democracia, direitos humanos e justiça social. No Brasil, ganharam maior consistência nos bastidores da ditadura militar, onde a classe política foi imobilizada após o fechamento do congresso pelo AI-5 em 1968. Num cenário destes, qualquer “favorzinho” era negociado na base de propina. Do segundo escalão para baixo do governo militar, a corrupção corria solta enquanto a “Pátria mãe dormia”.
Muita gente usou deste recurso, muitas empresas cresceram quando tiveram “visão de mercado” aliando-se aos governos militares de forma pragmática. Falha e Globo são exemplos clássicos disso.
Quando recebeu das mãos dos militares a concessão pública para operar em território nacional, a Globo era associada ilegalmente ao grupo americano Time-Life. Significa que, além de darem suporte logístico e até militar aos generais (frota marítima americana estacionada na costa brasileira pronta para qualquer intervenção que se fizesse necessária para garantir a “normalidade da ordem golpista”), os americanos também atuaram na outra ponta do esquema. Para sustentar-se, o governo militar precisava ter voz e apoio na mídia. Isso é fundamental em qualquer golpe (até o surgimento da Internet). Assim, associados à Time-Life, que injetou o capital necessário, os militares e o jornalista Roberto Marinho vitaminaram o grupo Globo – jornal e TV - para tornarem-se a potência que são hoje. As diretrizes básicas: alinhamento e subordinação total do país aos interesses americanos na região.

Marinha renovará frota sob 'pressão estratégica'

Escolha entre ofertas de Itália, Reino Unido, Alemanha, Coreia e França deve sair até o fim do ano.

A renovação da frota da Marinha do Brasil não foi cancelada nem adiada pela presidente Dilma Rousseff. O negócio, envolvendo 11 navios e estimado entre 4 bilhões e 6 bilhões, continua em andamento. A fase atual é de consultas a empresas candidatas à parceria pretendida. "O tempo para execução é o tempo da pressão estratégica", diz o ministro da Defesa, Nelson Jobim.
Analistas ouvidos pelo Estado concordam que essa condição de ameaça é, atualmente, de baixa intensidade, mas lembram que "a curva é ascendente, se projetada para os próximos 20 a 25 anos", de acordo com o relatório Projeção 2025, feito em 2009 pela Secretaria de Assuntos Estratégicos. A escolha final, entre ofertas de Itália, Reino Unido, Alemanha, Coreia e França, deve sair até o fim do ano. A primeira fragata ficará pronta entre 2018 e 2019 - a entrega do navio patrulha ocorre 12 meses antes.


O contrato inicial, todavia, será firmado em 2012. Depois da seleção, a complexidade do processo exigirá um ano de discussões para ajuste da transferência de tecnologia, estabelecimento da rede de fornecedores e das compensações comerciais. Só então haverá o pagamento do adiantamento formal, cerca de R$ 100 milhões. É para o custeio da implementação da operação. Apenas seis meses mais tarde é que vence a primeira parcela semestral, referente aos juros do financiamento. O principal da dívida começa a ser abatido 180 dias depois, em meados de 2013.

Robert Fisk: Internet teve papel vital nos protestos no Egito

Dia de orações ou dia de ira? Todo o Egito está à espera do sabbath muçulmano hoje – para nem falar dos assustados aliados do Egito –, enquanto o envelhecido presidente do país agarra-se ao poder depois de noites de violência que já fazem os EUA duvidarem da estabilidade do regime de Mubarak.

Por: Robert Fisk*, no The Independent, UK. Tradução: Vila Vod


Até agora, há cinco mortos e mais de 1.000 presos, a polícia bateu em mulheres e, pela primeira vez uma das sedes do Partido Nacional Democrático reinante foi incendiada. Aqui, os boatos são perigosos como granadas de gás lacrimogêneo. Um diário do Cairo publicou que um dos principais conselheiros do presidente Hosni Mubarak fugiu para Londres com 97 malas de dinheiro; outros falam de um presidente enfurecido, que grita com os comandantes da polícia, exigindo mais força na repressão das manifestações.

Mohamed ElBaradei, líder da oposição, Prêmio Nobel e ex-funcionário da ONU retornou ao Egito ontem à noite, mas ninguém acredita – exceto talvez os norte-americanos – que venha a converter-se em ímã que dê foco aos movimentos de protesto que se alastram por todo o país.

Já aparecem sinais de que muitos, cansados do governo corrupto e antidemocrático de Mubarak, tentam persuadir os policiais que patrulham as ruas do Cairo a unir-se a eles. “Irmãos! Irmãos! Quanto eles pagam a vocês?” um grupo de manifestantes pôs-se a gritar para os policiais no Cairo. Mas ninguém negocia coisa alguma – não há o que negociar, exceto a partida de Mubarak, e o governo egípcio nada diz e nada faz, mais ou menos exatamente como nos últimos trinta anos.

Há quem fale de revolução, mas não há ninguém para ocupar os lugares dos homens de Mubarak – jamais houve sequer um vice-presidente – e um jornalista egípcio disse-me ontem que conversou com amigos de Mubarak, preocupados com ele, presidente, isolado, solitário. Mubarak está com 82 anos e deu sinais de que se candidatará novamente à presidência – o que é ultraje para milhões de egípcios.

A dura verdade, porém, é que, exceto pela força policial brutal e um exército escandalosamente dócil – o qual, aliás, não apoia a indicação de Gamal, filho de Mubarak – o governo está impotente. Essa é revolução pelo Twitter e revolução pelo Facebook, e a tecnologia, já há muito, derrubou as regras da censura.

sábado, 29 de janeiro de 2011

José Serra: Estranho no próprio ninho


Líderes do PSDB se unem e fazem um abaixo-assinado contra a eleição de Serra para a presidência do par-tido.

A Presidência da República ele já perdeu para Dilma Rousseff no ano passado e para Lula em 2002. Agora, José Serra (PSDB) caminha para mais uma derrota, esta de menor porte, ainda que muito significativa. Com a intenção de se tornar presidente de seu partido, o ex-governador de São Paulo levou uma rasteira do atual ocupante do posto, Sérgio Guerra. O presidente tucano levantou um “abaixo-assinado” entre 54 nomes da bancada do partido na Câmara a favor de sua recondução ao cargo – ato classificado como “indigno” pelo deputado serrista baiano Jutahy Magalhães Jr., uma das poucas vozes a contrariar o ato.

Nos bastidores, fala-se em uma articulação maior, a incluir o senador Aécio Neves (MG) e o governador Geraldo Alckmin (SP). Atropelados por Serra em disputas internas passadas, ambos juram nada ter feito contra Serra na disputa pela presidência do PSDB. Alckmin, em arroubo de generosidade, chegou a prometer na quinta-feira, dia 27, que, “se [Serra] tiver interesse, tem nossa total solidariedade e apoio”. Algo muito semelhante ao que disse o governador paulista ao longo da última eleição presidencial. O apoio, se de fato veio, de pouco ou nada adiantou.


O mundo caiu para José Serra


Depois de se aventurar (mais uma vez) numa desastrada e desastrosa campanha para presidente, enfrentando Aécio, Lula, Dilma e o povo, José Serra encontra seu verdadeiro calvário. Todo mundo odeia José Serra, uma frase que nos lembra um divertido seriado de TV, mas na vida real, as peripécias de Serra também contém uma dose extra de humor. Não faltou boas gargalhadas na cena insólita da "bolinha de papel, na última campanha. Pela internet é fácil encontrar Serra nos mais divertidos papéis, nas igrejas, nos debates, nas entrevistas e em reuniões pelo país à fora, que dão a verdadeira dimensão de seu lado canastrão, tanto como ator, quanto político. Quem não se lembra da expulsão de José Serra e seus asseclas numa igreja do ceará?


Agora chegou a vez da onça beber água:

Alckmin

Governador de São Paulo convoca auditores, policiais e até ex-espiões para analisar contratos da administração de José Serra

Alan Rodrigues
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Se o ex-governador paulista José Serra tivesse como sucessor um adversário de partido, talvez sua vida hoje fosse mais tranquila. Apesar das juras públicas de mútua admiração, Serra e o atual governador Geraldo Alckmin, ambos do PSDB, são, no mínimo, “desafetos”, como se costuma chamar dois tucanos que não se suportam. Serra não perdoa Alckmin, que não perdoa Serra. Pelo lado do ex-governador, pesa na conta negativa a candidatura à Presidência da República que Alckmin assegurou em 2006, tomando sua frente. Pelo lado de Alckmin, o passivo passa pelo apoio que lhe faltou na candidatura à prefeitura da capital, em 2008, quando Gilberto Kassab, do DEM, catalisou as simpatias serristas. Mais do que isso, o atual governador e seus correligionários ainda amargam o desprezo com que teriam sido tratados depois que Serra sucedeu Alckmin em 2006, anunciando revisão de contratos, suspensão de projetos e caça a funcionários fantasmas. A auditoria jamais foi divulgada. Agora vem o troco.

A exumação de FHC


Falando em Egito, uma das mais sombrias múmias da política brasileira deve sofrer um processo de exumação na semana que entra. Mais precisamente, será na quarta-feira à noite, durante o programa semestral do PSDB, que irá ao ar em horário “nobre” da TV e do rádio.
O PSDB finalmente deu ouvidos a Globos, Folha, Veja e Estadão: tentará reconstruir FHC, visando tirar a oposição do vazio de lideranças e da carnificina interna em que mergulhou.
A estratégia será a de dedicar o programa semestral do PSDB a tentar, em linguagem popular, fazer valer a tese tucano-midiática de que o sucesso do governo Lula se deve ao até hoje impopularíssimo antecessor.
Basta ler ou assistir aos colunistas dos veículos supracitados para perceber que essa é uma reivindicação antiga da mídia, reivindicação que o PSDB, de olho nas pesquisas de opinião sobre FHC, jamais levou em conta. Todavia, como pior do que está parece que não fica, qualquer tentativa é melhor do que se resignar com o naufrágio iminente.

OAB não consegue cuidar do seu próprio quintal, e acha que tem moral para criticar governo


A Polícia Federal descobriu que dois outros exames da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de 2009 foram fraudados. Com isso, tem indícios de que as três edições daquele ano tiveram vazamento. A PF encontrou irregularidades na primeira e na terceira avaliações. Na terceira, a fraude ocorreu nas duas etapas.

Em 2010, a PF apontou que a segunda prova teve problemas no gabarito e a Ordem chegou a cancelá-la.

A OAB não pretende cancelar os exames e vai esperar o fim das investigações para anular as carteiras que autorizam os recém-formados a atuarem no mercado.

A pedido da PF, a Ordem solicitou que o organizador do exame forneça todas as informações das três seleções. A PF espera esses dados para identificar o total de beneficiados.

Pleno emprego e com ganho real: conquistas que precisam ser mantidas e aprofundadas

Em 2010 o país gerou mais de 2,5 milhões de postos de trabalho com carteira assinada e alcançou o menor índice de desemprego, desde que a nova metodologia foi implantada em 2002.
Os números impressionam pela pujança da economia e a capacidade de se consolidar um novo patamar para o mercado de trabalho brasileiro: o pleno emprego.

Segundo o Dieese/Seade o Emprego formal cresceu principalmente a partir de 2004, resultado direto das políticas do governo Lula para o setor produtivo, com incentivos fiscais importantes para diversas áreas, como o oferecido à construção civil.

A partir de 2007 com o PAC, fortes investimentos na indústria petroleira, avanço significativo da construção civil e a renascença da indústria naval, o emprego cresceu ainda mais rapidamente a sua oferta, o Brasil gerou mais de 9 milhões de empregos formais, marca recorde alavancada por um ciclo de forte crescimento econômico contínuo. Empregos formais e com salários mais valorizados. Nos últimos doze meses a renda média dos ocupados (R$ 1.386) subiu 9,4%, a massa de rendimentos cresceu 13,6%, o que ajuda a explicar o crescimento sustentado pelo mercado interno. Considerados o total de ocupados nas sete regiões (19,95 milhões) e o rendimento médio (R$ 1.386), a massa de rendimentos atinge R$ 27,6 bilhões, valores excepcionais. De acordo com dados do Dieese, 93% dos pisos salariais, em diversas categorias profissionais, tiveram reajustes acima da inflação em 2009. Ou seja, existe hoje um enorme colchão para manter a economia aquecida, por mais que haja qualquer recuo nos índices de crescimento provocado por crises externas.

O pleno emprego e o crescimento real da massa salarial favorecem e muito o rápido desenvolvimento, social e economicamente, e projetam o país como a 7ª maior economia do mundo em 2011. Segundo estimativas recentes da Bloomberg, a soma das riquezas geradas em território nacional entre o segundo trimestre de 2009 e o primeiro de 2010 atingiu US$ 1,8 trilhão, deixando a Espanha mais para trás e se aproximando da Itália, a sétima colocada. O avanço vertiginoso do crédito popular, impulsionado pelo governo, é resultado do crescimento do emprego formal, ambos se complementam e só se preservam nos atuais níveis devido ao fortalecimento e manutenção do outro.

As manobras do imperialismo no Egito

Reproduzo polêmico artigo de Michel Chossudovsky, publicado no sítio Resistir:

O regime Mubarak pode entrar em colapso face ao vasto movimento de protesto à escala nacional. Quais as perspectivas para o Egito e o mundo árabe?

"Ditadores" não ditam, eles obedecem ordens. Isto é verdade tanto na Tunísia como na Argélia e no Egito.

Ditadores são sempre fantoches políticos. Os ditadores não decidem.

O presidente Hosni Mubarak foi o fiel servidor dos interesses econômicos ocidentais e assim era Ben Ali.

O governo nacional é o objecto do movimento de protesto. O objetivo é remover o fantoche ao invés do mestre do fantoche. Os slogans no Egipto são "Abaixo Mubarak, abaixo o regime". Não há cartazes anti-americanos... A influência avassaladora e destrutiva dos EUA no Egito e por todo o Médio Oriente permanece oculta.

As potências estrangeiras que operam nos bastidores estão protegidas do movimento de protesto.

Nenhuma mudança política significativa se verificará a menos que a questão da interferência estrangeira seja tratada de forma explícita pelo movimento de protesto.

A Embaixada dos EUA no Cairo é uma importante entidade política, sempre ofuscando o governo nacional, não é alvo do movimento de protesto.

No Egito, em 1991 foi imposto um devastador programa do FMI na altura da Guerra do Golfo. Ele foi negociado em troca da anulação da multimilionária dívida militar do Egito para com os EUA bem como da sua participação na guerra. A resultante desregulamentação dos preços dos alimentos, a privatização geral e medidas de austeridade maciças levaram ao empobrecimento da população egípcia e à desestabilização da sua economia. O Egito era louvado como uma "aluno modelo" do FMI.

O papel do governo de Ben Ali na Tunísia foi impor os remédios econômicos mortais do FMI, os quais num período de mais de vinte anos serviram para desestabilizar a economia nacional e empobrecer a população tunisina. Ao longo dos últimos 23 anos, a política econômica e social na Tunísia foi ditada pelo Consenso de Washington.

A revolução no Egito está sendo televisionada

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Enquanto os aliados observam…
Egito: o dia do acerto de contas
28/1/2011, Robert Fisk: The Independent, UK
Dia de orações ou dia de ira? Todo o Egito está à espera do sabbath muçulmano hoje – para nem falar dos assustados aliados do Egito –, enquanto o envelhecido presidente do país agarra-se ao poder depois de noites de violência que já fazem os EUA duvidarem da estabilidade do regime de Mubarak.
Até agora, há cinco mortos e mais de 1.000 presos, a polícia bateu em mulheres e, pela primeira vez uma das sedes do Partido Nacional Democrático reinante foi incendiada. Aqui, os boatos são perigosos como granadas de gás lacrimogêneo. Um diário do Cairo publicou que um dos principais conselheiros do presidente Hosni Mubarak fugiu para Londres com 97 malas de dinheiro; outros falam de um presidente enfurecido, que grita com os comandantes da polícia, exigindo mais força na repressão das manifestações.
Mohamed ElBaradei, líder da oposição, Prêmio Nobel e ex-funcionário da ONU retornou ao Egito ontem à noite, mas ninguém acredita – exceto talvez os norte-americanos – que venha a converter-se em ímã que dê foco aos movimentos de protesto que se alastram por todo o país.
Já aparecem sinais de que muitos, cansados do governo corrupto e antidemocrático de Mubarak, tentam persuadir os policiais que patrulham as ruas do Cairo a unir-se a eles. “Irmãos! Irmãos! Quanto eles pagam a vocês?” um grupo de manifestantes pôs-se a gritar para os policiais no Cairo. Mas ninguém negocia coisa alguma – não há o que negociar, exceto a partida de Mubarak, e o governo egípcio nada diz e nada faz, mais ou menos exatamente como nos últimos trinta anos.
Há quem fale de revolução, mas não há ninguém para ocupar os lugares dos homens de Mubarak – jamais houve sequer um vice-presidente – e um jornalista egípcio disse-me ontem que conversou com amigos de Mubarak, preocupados com ele, presidente, isolado, solitário. Mubarak está com 82 anos e deu sinais de que se candidatará novamente à presidência – o que é ultraje para milhões de egípcios.
A dura verdade, porém, é que, exceto pela força policial brutal e um exército escandalosamente dócil – o qual, aliás, não apoia a indicação de Gamal, filho de Mubarak – o governo está impotente. Essa é revolução pelo Twitter e revolução pelo Facebook, e a tecnologia, já há muito, derrubou as regras da censura.
Os homens de Mubarak parecem ter perdido toda a noção de iniciativa. Os jornais do partido governista vêm carregados de falsas ilusões autoimpingidas, empurrando as vastas manifestações de rua para os rodapés, como se bastasse a diagramação para esvaziar as ruas – e como se, de tanto esconder os fatos, conseguissem convencer-se de que as manifestações não existiram.

A temida voz dos árabes

Os ventos revolucionários da Tunísia chegaram ao Egito. Depois da derrubada do regime do tunisiano Zine Al-Abidine Ben Al, que desfrutou de poder quase absoluto por 23 anos, a fúria das chamadas "ruas árabes" se dirige agora contra o líder egípcio. No controle da terra dos faraós há 29 anos, Hosni Mubarak é o alvo da revolta e desejo de mudança da população local. As cenas de caos em vários pontos do país, especialmente no Cairo, sugerem uma nação transformada. De forma espontânea, sem necessariamente ligação com grupo político algum, cidadãos das mais diferentes tendências e ideologias tomaram as ruas para dizer "basta" a um regime autoritário. Mas, ao contrário dos protestos que derrubaram o comunismo na Europa na virada da década de 80 para a de 90, no exterior os movimentos populares árabes geram tanto otimismo quanto preocupação.

O regime de Mubarak é um dos principais aliados dos Estados Unidos no mundo árabe. Recebe de Washington quase US$ 2 bilhões anuais em ajuda econômica e militar, ficando atrás apenas de Israel. Nos últimos anos os Estados Unidos vêm dizendo que essa ajuda precisa ser acompanhada de abertura política e econômica, mas Mubarak nunca sinalizou intenção de mudar as regras do jogo. Pelo contrário: aos 82 anos, o líder egípcio vinha indicando sua intenção de passar o poder para seu filho, Gamal, repetindo o ritual dinástico de nações como Síria ou Jordânia.

Os Estados Unidos nunca condenaram abertamente o modelo político do Egito nem os planos de Mubarak para o país, e o presidente Barack Obama tem sido cauteloso ao defender o direito da população de se manifestar. Obama e seus antecessores nunca esqueceram as circunstâncias em que Mubarak chegou ao poder, em 1981. Ele ocupava a vice-Presidência quando o presidente, Anwar Sadat, que dois anos antes havia assinado o histórico e polêmico acordo de paz com Israel, foi assassinado. Fundamentalistas usaram granadas e metralhadoras contra o presidente e convidados durante uma parada militar. Outras 11 pessoas morreram, e o próprio Mubarak foi ferido. Já na Presidência, Mubarak enfrentou um resurgimento das ações de fundamentalistas, especialmente nos anos 90, quando um grande atentado em Luxor deixou mais de 50 turistas estrangeiros mortos. A resposta de Mubarak foi um regime cada vez mais fechado, sem direito a dissidências ou manifestações, comandado por truculentas forças de segurança sobre as quais sempre houve a suspeita do uso sistemático da tortura.

A receita sempre foi tolerada por Washington, que teme as consequências para a região da derrubada de regimes autoritários, mas aliados ao Ocidente. Exemplos passados aumentam tal preocupação. Em 1991, as eleições na Argélia foram vencidas no primeiro turno pelo partido islamista, a Frente Islâmica de Salvação, o que levou as autoridades a cancelar a segunda votação. O Exército assumiu o poder, o que levou a uma guerra civil marcada por massacres de civis e um saldo de 200 mil mortos. As eleições palestinas de 2006 resultaram na vitória do Hamas e a consequente divisão política da Palestina, com a Faixa de Gaza nas mãos do grupo religioso e a Cisjordânia sob controle da Autoridade Nacional Palestina. No próprio Iraque, onde uma tentativa de democracia foi imposta militarmente pelos Estados Unidos, a situação interna segue muito mais instável e violenta do que nos tempos de Saddam Hussein.

Com os recentes aumentos de preços dos alimentos, que impôs dificuldades extras a populações já sofrendo com a estagnação econômica, tornou-se ainda mais difícil para regimes autoritários árabes controlarem seus cidadãos. Depois de Tunísia e Egito, protestos foram registrados também no Iêmen. Somada a décadas de frustração e repressão, uma realidade de desemprego e inflação solapa as estruturas do tradicional modelo político local. Estados Unidos, Israel e líderes de outras autocracias locais acompanham os acontecimentos no Cairo com apreensão. Mas sabem que barrar os ventos de mudança é missão quase impossível, e a única opção parece ser ajustar a direção para a qual eles sopram. Isso se não estivermos diante de um verdadeiro furacão.
Mubarak dissolve governo e defende repressão aos protestos
Tariq Saleh
Enviado especial da BBC Brasil ao Cairo





Em seu primeiro pronunciamento desde o início da onda de manifestações no Egito, o presidente do país, Hosni Mubarak, anunciou nesta sexta-feira a dissolução do governo e afirmou que um novo gabinete seria nomeado no sábado

Em discurso transmitido pela TV estatal, Mubarak, que que está no poder desde 1981, disse ainda que os protestos não estariam ocorrendo caso seu governo não tivesse introduzido liberdades civis e de imprensa no país.